CRISE DE HONESTIDADE

 

Quando fazia o curso de direito em Colatina a situação não era fácil. A estrada Mantenópolis x Pancas ainda não era asfaltada. O transporte era de ônibus da Viação Pretti. Às vezes se gastava três horas para fazer o trecho.

 

Na época de colheita de café as coisas pioravam, pois o movimento de pessoas era maior. Normalmente o ônibus carregava quarenta pessoas sentadas e outras trinta em pé. Não andava um minuto sem alguém puxar a cordinha pedindo para o motorista parar.

 

Um dia eu peguei carona de Colatina até Pancas. Fiquei esperando passar algum conhecido e nada. O jeito mesmo foi entrar no buzão para completar a viagem de retorno da FADIC. Naquele dia tinha tanta gente em pé que o trocador não tinha como andar no corredor para cobrar a passagem.

 

Estávamos quase chegando ao destino final quando o trocador chegou até onde me encontrava sentado. Destacou a passagem e me entregou. Olhei e notei que ele cobrara como se eu estivesse entrado no Marcopolo em Alto Rio Novo – metade do percurso -. Disse a ele que eu havia entrado em Pancas e não em Rio Novo. Nossa! Você é honesto mesmo! Pegou o bilhete de volta e cancelou, emitindo outro com o dobro do valor.

 

Fiz algo de extraordinário? Não. Ser honesto é o nosso dever.

Texto: Creumir Guerra
Creumir Guerra é Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo

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