Covid-19: venecianos revelam sequelas duradouras depois de considerados curados

» Entre as marcas deixadas pelo novo
coranavírus, José Bressale e dona Isaura Oliosi perderam o apetite, sentem cansaço e fraqueza

Cansaço ao menor esforço físico, perda de apetite, olfato. Mesmo depois de curados, ainda existem pacientes venecianos sofrendo com sintomas relacionados à Covid-19.

Os relatos não se limitam a quem apresentou a forma mais grave da enfermidade, mas até mesmo pessoas que não precisaram de internação.
Há casos em que médicos acreditam que até outras doenças possam ter sido desencadeadas pelo novo coronavírus, que é o caso da enfermeira Eva Aparecida Galvão Silva, 50 anos. Um médico que a atende acredita que a acalasia que a veneciana adquiriu, pode ter relação com o novo coronavírus.

O tema ainda carece de estudos para entender o que, de fato, acontece depois que uma pessoa elimina o vírus do organismo. Respostas, inclusive, buscadas por Eva, que apesar de não ter ficado internada, teve diversos problemas durante e após a Covid-19. “Quem se arrisca em aglomeração, praias e festas, não sabe o risco que tem em levar isso para casa, para quem ama. Essa doença não é simples, é preciso ter consciência”, ressalta.

Eva carrega, mesmo após mais de seis meses de recuperada, falta de ar e fraqueza. Perda de apetite, pré-diabetes e pré-hipertensão, são sintomas que permaneceram com a enfermeira por dois meses pós-doença. Já na época da enfermidade, 35% do seu pulmão foi afetado.

Sobre a acalasia, – doença no esôfago, que causa entre os sintomas, dificuldade de engolir -, Eva tinha uma cirurgia agendada para o próximo dia 16, porém precisou ser adiada, por conta de outro problema de saúde que surgiu. “De acordo com um médico que me assiste, há relatos desses sintomas da acalasia em outros pacientes e estão investigando os casos para ver se há relação”, fala. A enfermeira ressalta, também, que sobre a acalasia, existem suspeitas de que a doença tem como causas virais.

» A enfermeira, Eva Aparecida Galvão Silva, é assistida por um médico que acredita que
a Covid-19 pode ter desencadeado a acalasia

Muitos sintomas depois da doença

O casal José Bressale, 81, e dona Isaura Oliosi, 83, teve alta da Covid-19 há mais de cinco meses. Não vendo a hora de o organismo voltar totalmente ao normal, eles estão tendo muitos sintomas no pós-doença. Falta de apetite, paladar mais seletivo, fraqueza, dores nas pernas, queda de cabelo, alteração na glicose e insulina, além de um pouco de depressão, são alguns dos problemas que o casal vem enfrentando. “Se eu ficar 10 horas por dia acordado, nove deles, fico deitado, não tenho forças mais. Perdi 12 quilos. Eu adorava carne vermelha, não consigo comer mais. Me alimento porque preciso, mas se eu ficar três dias sem comer, para mim não faz diferença. Eu tinha um apetite grande, não comia menos de dois pratos por refeição”, revela Bressale.

O casal ficou internado por sete dias no Hospital São Marcos. “Essa doença não é brincadeira e não é pouca coisa, mudou muita em minha vida, em nossas vidas. Espero ficar bom logo”, fala o aposentado.

Outra que aguarda os sintomas passarem após ter Covid-19, é a Ana Maria da Silva, 52 anos, mais conhecida como Banana. Internada por sete dias, a auxiliar de escritório passou aperto, chegou a ter que utilizar o balão de oxigênio, e teve 55% do pulmão comprometido na época da doença. “Foi muito difícil. Sei que enquanto estava doente, muita gente fez orações por mim, até mesmo quem eu nem conheço. Quero agradecer a todos, de coração”, diz.

Banana e a mãe, Ignêz Maria Marchetti, 80, que moram juntas, contraíram a doença na mesma época, porém a matriarca da família, não precisou de internação. “Não me recuperei ainda, sinto falta de ar e cansaço por bem poucos movimentos realizados. Já tive gripe, já peguei dengue e aviso: essa doença é brava, não se compara a dengue. Quem puder, fique em casa, e quem precisa trabalhar, saia somente para o serviço e o necessário. As pessoas estão brincando, não sabem o quanto é difícil passar por isso. Deixo esse recado, se cuidem, cuidem de seus amigos e familiares”, finaliza.

Fonte: Cintia Zaché / redenoticiaes

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