Corpo encontrado em rio do Espírito Santo é de ex-aluno do Ifes

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O corpo encontrado boiando e com sinais de violência no Rio Cricaré, em Nova Venécia, no Noroeste do Espírito Santo, no último domingo (16), é de Gabriel de Souza Araújo, de 21 anos.

A família do jovem, que já foi estudante do Instituto Federal do Espírito Santo e decidiu ir morar em assentamentos durante a pandemia, confirmou a identidade dele. Gabriel foi enterrado nesta terça-feira (18).

Segundo a irmã de Gabriel, Deborah de Souza Araújo, o jovem era inteligente e estudioso. Fez o curso de técnico de Edificações junto com o ensino médio no Ifes. Ele também iniciou uma licenciatura em Geografia, mas trancou o curso. Durante a pandemia, decidiu sair de casa e passou a morar em um assentamento da cidade.

“Ele se doía quando via as pessoas passando por dificuldades. A pandemia abalou muito ele, que queria se sentir útil e mudar o mundo, mas não conseguia. Ele se sentia revoltado e foi morar em um assentamento em Nova Venécia. Disse que lá ele iria ajudar alguém”, contou a irmã de Gabriel.

Após sair do assentamento em Nova Venécia, Gabriel ainda viveu por dois meses em um outro assentamento na Bahia. Ele havia voltado para Nova Venécia no dia quatro de janeiro. Deborah também conta que o irmão já foi vítima de homofobia.

Em nota, o Ifes de Nova Venécia lamentou a morte do ex-aluno e manifestou solidariedade à família e aos amigos do jovem.

Gabriel de Souza Araújo foi encontrado morto no Rio Cricaré, em Nova Venécia, ES

Gabriel de Souza Araújo foi encontrado morto no Rio Cricaré, em Nova Venécia, ES

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Espírito Santo também lamentou a morte de Gabriel por meio das redes sociais.

“Gabriel, tinha 21 anos era um jovem prestativo, solidário e estudioso e tinha o sonho de fazer a graduação em biologia. Durante o período que esteve acampado, contribuiu na organização da juventude, sendo um dos organizadores de uma biblioteca para proporcionar que os acampados e acampadas tivessem acesso ao conhecimento. Foi educando da 2º Turma do Curso de Formação de Formadores em Agroecologia organizado pelo MST. Muito estudioso, trazendo reflexões a partir das leituras e da sua realidade. Tinha planos de construir com os companheiros e companheiras um banco de sementes crioulas na região e a partir disso, contribuir para o resgate de saberes ancestrais relacionados a produção de alimentos no campo. Ele tinha a voz e a atuação potente, que aglutinava ideias e anseios de um país com Reforma Agrária, Justiça Social, onde pudesse viver e amar sem medo. Trazia em seu corpo negro a afirmação da luta contra o racismo, machismo e a LGBTIfobia”, disse um trecho do texto.

Quando foi encontrado no Rio Cricaré, o corpo de Gabriel tinha sinais de violência. O jovem parecia ter sofrido pancadas na cabeça, de acordo com a Polícia Militar.

A Polícia Civil aguarda a chegada de exames para definir se irá instaurar um inquérito, caso seja constatado que houve morte violenta. O caso foi registrado como encontro de cadáver.

 

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