Coronavírus segue deixando famílias de luto no Espírito Santo; Mortes passam de 3 mil

Após quase cinco meses da primeira morte confirmada por Covid-19 no Espírito Santo, o estado ultrapassou os três mil óbitos causados pelo novo coronavírus e acumula quase 105 mil registros de infectados. Só no intervalo de 24 horas entre a quinta (20) e sexta-feira (21), foram contabilizadas 23 mortes. A informação é de Luiza Marcondes e Leandro Tedesco, G1 ES e TV Gazeta.

São números que entram para as estatísticas e deixam um vazio em milhares de famílias. “Aquele um óbito para a família não é mais um óbito na conta dos três mil, é o parente querido dele que está indo embora”, disse a médica infectologista Rubia Miossi.

O primeiro caso de coronavírus foi oficialmente confirmado no Espírito Santo no dia 5 de março. Entre os dias 17 e 20 daquele mês, começaram a ser anunciadas as primeiras medidas para conter o avanço da pandemia, como a suspensão das aulas, fechamento dos shoppings, restrições ao comércio e serviços.

A primeira morte foi confirmada no dia 2 de abril. Do início da pandemia para cá, o Espírito Santo registrou, até esta sexta-feira (21), 3.002 mortes e 104.988 casos de coronavírus. Ao todo, o estado tem 90.995 curados. Apenas três dos 78 municípios do estado não tem nenhum morte pelo vírus, são eles: Brejetuba, Divino São Lourenço e Iconha.

O número de óbitos registrados até agora equivale à quantidade de passageiros de 7,5 aviões com capacidade para 400 pessoas ou de 60 ônibus interestaduais lotados. Se as mortes estivessem concentradas em uma só região, elas poderiam causar o “desaparecimento” de bairros inteiros de Vitória. A capital tem 51 bairros com menos de três mil habitantes.

O dado reflete principalmente famílias e amigos que perderam entes queridos para a doença no Espírito Santo como as de Leninha, de Jesus de Nazareth, em Vitória; dos pastores Wilber e Ana Lúcia, de Vila Velha; e de profissionais de saúde como o médico Vinícius Barbosa, de 44 anos, que atuava na linha de frente contra o coronavírus.

“Infelizmente, a pandemia não acabou. Apesar da força de transmissão parecer ser bem menor que nos meses anteriores, a gente continua tendo casos positivos e óbitos que acontecem dia após dia. A situação não está controlada”, enfatizou Rubia Miossi.

A médica ainda alerta que a redução média no número de óbitos é consequência do respeito a medidas de isolamento social dos meses anteriores. No entanto, com a flexibilização e reabertura dos comércios, Rubia alerta que é necessário consciência da população para que o número de casos não volte a subir.

“O que a gente tem é uma redução no número de casos por causa da redução da taxa de transmissão. Essa taxa de transmissão foi reduzida mesmo porque a gente seguiu as medidas de isolamento nos meses anteriores. Como algumas pessoas não estão mais cumprindo, a gente não sabe o que vai acontecer nos próximos dias. Temos que manter o isolamento social e fazer uso de máscara”, lembrou a infectologista.

Para pesquisadores, a estimativa é de que o número de óbitos chegue a 3.800 até que a taxa de transmissão da doença seja controlada. “Muitas pessoas vão morrer ainda, então é necessário que elas se protejam”, alertou a epidemiologista Ethel Maciel.

O secretário estadual de Saúde, Nésio fernandes, reforça o que foi dito pelas especialistas sobre a necessidade de manter as medidas de proteção contra a doença.

“Agosto é um mês de transição. Ainda são necessárias as medidas de distanciamento e disciplina, porque as pessoas que se expuseram aos riscos e forem vulneráveis vão se contaminar. Enquanto não tiver a vacina, a gente não pode dizer que a doença acabou”, declarou o secretário.

Enterro de vítima da Covid-19 — Foto: Silvia Izquierdo/AP

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