“Coronavírus provoca o caos”, dizem venecianos residentes no exterior

» Prateleiras vazias é o retrato do surto de coronavírus pelo mundo inteiro

Entre a falta de itens básicos do dia a dia, a permanência em casa é fator categórico e real relatado pelos entrevistados, que afirmam viver atualmente, cenário de guerra com a evolução da mortal doença


Com a crescente pandemia causada pelo novo coronavírus mundo afora, venecianos que moram no exterior relatam um pouco do que estão vivendo. Entre escassez de alimentos e produtos de uso diário, as ruas cada vez mais desertas é o relato em comum dos entrevistados.

Os brasileiros entrevistados são categóricos em lembrar que, a permanência das pessoas em casa, pode mudar o cenário vivido em outros locais, como na Itália, que vem sofrendo com o registro de mais de 3 mil mortos infectados pelo coronavírus.


Estabelecimentos fechados

“Tem 24 anos que estou aqui na Itália, eu nuca havia visto o que estamos vivendo hoje, a situação é inédita. O cenário é de guerra. O Inimigo a gente não consegue ver, mas tem que combater. É muito triste, tenso. A gente vive com a televisão ligada para saber o que está acontecendo. Tem jovem de 37 anos que morreu, não é só quem é idoso ou tem doença crônica que faz parte desta chocante estatística. Para sair de casa é difícil, tem que se cobrir, se vestir, colocar máscara, luva. As escolas estão todas fechadas, os estudantes estão tendo aula através de vídeo. Só temos funcionando só supermercado, farmácia, coisas de primeiras necessidades. Ninguém sai de sua residência, estamos ficando loucos dentro de casa fechados. Se acontecer no Brasil o que está acontecendo aqui, não sei como vai ser. As pessoas aí estão brigando por álcool, isso não é uma brincadeira, o que eles não podem fazer é sair de casa. Se de último caso precisar, que vá uma pessoa só. O brasileiro precisa se conscientizar do que realmente está acontecendo, aqui é muita tristeza, muitos mortos. Convido as pessoas a ter um censo cívico, permaneçam em casa”
Angela Fugulim, mora na Itália há 24 anos


Duas semanas internado

“Estou no hospital nesse momento, terei alta amanhã. Há duas semanas atrás tive dores nas costas, nada a ver com o coronavírus. Fui para o pronto socorro, um verdadeiro inferno a situação. Muitas pessoas com o vírus no local. Para certificarem que eu não estava com vírus, fizeram os exames precisos, somente no outro dia que fui para um departamento de não infectados, primeiro comprovaram tudo, se cerificaram de que eu não estava contaminado. Nesse meio tempo fui transferido para uma clínica. Estou há duas semanas internado. Desejo que o Brasil não passe o que a Itália está passando o País está de joelhos, os hospitais aqui não estão sendo suficientes. Se no brasil acontecer a mesma intensidade que o coronavírus trouxe para Itália, será muito sério. A cultura do brasileiro é diferente, e se vier com a mesma intensidade daqui o Brasil terá problemas sérios, a cultura é diferente. Me preocupo demais com amigos, familiares. Estou com passagem marcada para ir aí, mas não sei se será possível”,
Walace Scardini, mora na Itália há 15 anos


Falta remédio

“Agora estamos vendo que o dinheiro nada vale. Está tudo fechado, só temos supermercado. Isso tudo começou em fevereiro. Hoje, as prateleiras dos supermercados estão vazias, as compras dos itens estão racionadas, só pode levar um ou dois itens de cada produto, tem produtos que nem tem mais, como sabonete e papel higiênico. É uma situação muito difícil e que deixa a gente com medo. Os restaurantes, lojas, cinema, teatro, nada aberto. A exigência é que fiquemos em casa e só sair para comprar comida e remédios. O clima está feio, ninguém recebe visita, cada um em sua casa. Meu filho não está indo à aula, parou tudo. Tem remédio que não encontramos mais, não sabemos como vai ser daqui em diante, a única coisa que penso é que precisamos nos manter vivos”
Márica Pettene Baldon, mora em Londres há 17 anos


Casos aumentando e faltam itens nos supermercados

“Os casos de pessoas infectadas com o coronavírus, só estão aumentando por aqui. Papel higiênico, itens de supermercado não se encontra facilmente mais. As escolas, faculdade, estão fechadas. Até onde sei, não está saindo voo daqui mais. Soube que tem bastante gente com sintomas indo para o hospital. Tudo difícil. Ontem fui a um supermercado, estava fechado, está complicado”
Tony Ferrari, mora há quatro anos em Bristol (Inglaterra)


Multa de 145 euros se sair de casa

“Minha esposa está grávida de três meses. Hoje estamos vivendo essa situação de pandemia. O primeiro caso aqui surgiu há pouco mais de uma semana e hoje, os dados atualizados é de 618 casos confirmados e quatro mortes. A situação é mesmo desesperadora, pois aqui do lado nos países vizinhos, entre eles, a França, temos um surto muito grande onde já são quase 11 mil casos confirmados e 372 mortos. Na Alemanha, são 14 mil casos confirmados, com 31 mortes. Luxemburgo é um país que faz divisa com França, Bélgica e Alemanha, nossa situação é complicada. As leis são rígidas onde todos respeitam. Desde do dia 15 de março foi decretado Estado de Emergência pelo governo, com fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, como bares restaurantes, lojas, obras e todo comércio local, com exceção de supermercados e farmácias. Já não encontramos quase nada nos supermercados, está tudo quase vazio nas prateleiras. Ninguém pode sair de casa sem autorização, saímos de casa apenas para o necessário, ir ao mercado ou na farmácia, e mesmo assim, tem que ser comunicado às autoridades o motivo, caso contrário, a multa de 145 euros. Todas as empresas já pararam. O trabalhador não vai ficar prejudicado, pois o governo já anunciou que vai arcar com 80% das despesas com trabalhador. Sair do país não é permitido, aeroportos estão fechados, ninguém entra, ninguém sai. Não sabemos como vai ficar essa situação, pois o decreto é de 15 dias inicialmente e prorrogável por mais 3 meses. Tudo está muito triste e desesperador”
Filipe Vasconcelos, mora em Luxemburgo há quatro anos


Falta comida

“Está faltando papel higiênico, água mineral, álcool em gel. Produtos consumidos no dia a dia, vinagre, café, feijão já estão ficando escassos. As coisas estão complexas, e a tendência é que pare tudo, o movimento nas ruas é pequeno, os colégios estão a maioria fechados. Estou trabalhando hoje, mas amanhã não sei. Nunca passamos por uma situação dessas, tomara a Deus que passe rápido. Onde moro já tem oito casos confirmados, e outra cidade vizinha tem casos confirmados também”
Alcirene e Natal Campos, moram em Boston (EUA) há cinco anos

Cintia Zache / redenoticiaes

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