Corinthians busca sucesso que não alcança com técnico estrangeiro desde 1930

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O Corinthians campeão de 1930, título conquistado com uma invasão de sua torcida à Vila Belmiro; em pé, à direita, Virgílio Montarini | Foto: Reprodução
O Corinthians campeão de 1930, título conquistado com uma invasão de sua torcida à Vila Belmiro; em pé, à direita, Virgílio Montarini | Foto: Reprodução

MARCOS GUEDES – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

“Para já, ganhar títulos”, disse Vítor Pereira, 53, citando seu primeiro objetivo ao ser apresentado como técnico do Corinthians. “Eu gosto de ganhar com qualidade de jogo, mas ganhar é fundamental. Em um clube desta dimensão, com uma torcida enorme, é importante lutar e competir por títulos. Eu posso prometer muito trabalho em busca dos títulos.”

A palavra “títulos”, como se vê, foi bastante repetida pelo português. Não tem sido fácil, porém, para os treinadores estrangeiros alcançá-los no clube do Parque São Jorge. Na função de comandante solo, apenas um não brasileiro levantou troféu pelo time alvinegro, o italiano Virgílio Montarini, nas edições de 1929 e 1930 do Campeonato Paulista. Faz tempo.

Antes, ainda na época em que eram os capitães das equipes que faziam o papel de treinadores, o Corinthians se sagrou campeão com Casemiro González nessa função. Foi com o zagueiro espanhol como o responsável pelas escalações que a formação fundada por imigrantes no Bom Retiro, perto da região central de São Paulo, levou suas primeiras taças no futebol, nos estaduais de 1914 e 1916.

Após a mudança para o Parque São Jorge, na zona leste, e o sucesso de Montarini, o time ainda conquistou um título com um estrangeiro no banco. Era o português Antônio Pereira, um dos cinco operários fundadores do clube em 1910, mas ele dividia a função com o ex-jogador Neco (Manuel Nunes), grande ídolo alvinegro, que era quem efetivamente dava as cartas.

“Embora Antônio Pereira conste como técnico […], não há dúvida de que, pelo menos no campo, Neco, que parara de jogar, dava orientação ao time sentado no banco. A foto de Manuel Nunes, de terno, confraternizando com os jogadores no 3º gol de Filó que em 1937 deu o título de campeão ao Corinthians, vale mais que qualquer dado estatístico”, diz o cronista Lourenço Diaféria, no livro “Coração Corinthiano” (1992).

Depois disso, nenhum estrangeiro foi campeão pelo Corinthians. Tentaram o argentino Joseph Tiger (1944), o português Joreca (1948 e 1949), o argentino Jim López (1960), o paraguaio Fleitas Solich (1962 e 1963), o argentino Filpo Núñez (1966 e 1976), o argentino Armando Renganeschi (1978), o uruguaio Darío Pereyra (2001) e o argentino Daniel Passarella (2005).

Antes, foram capitães-jogadores o italiano Rafael Perrone (1910 e 1911) e o português Casemiro do Amaral (1912). Já na era do profissionalismo, a equipe foi dirigida pelo uruguaio Pedro Mazzulo (1933 e 1934).

Com Casemiro González (1912 a 1914 e 1916 a 1917), Virgílio Montarini (1929 a 1931), Antônio Pereira (1937) e, agora, Vítor Pereira, o Corinthians soma oficialmente 15 treinadores estrangeiros. Mas só o italiano Montarini pode dizer que foi campeão pelo clube na função de técnico como a conhecemos hoje.

Ele estreou em amistoso contra o inglês Chelsea, em julho de 1929, um empate por 4 a 4 no Parque Antarctica. Assumiu um time que era campeão paulista de 1928 e o conduziu ao tricampeonato com as conquistas de 1929 e 1930. Além disso, participou de outros dois momentos emblemáticos.

Montarini era o treinador alvinegro na vitória por 3 a 1 sobre o Barracas, da Argentina, em amistoso no Parque São Jorge, em 1929. No dia seguinte, o cronista esportivo Tomás Mazzoni, de A Gazeta, elogiou “a fibra de mosqueteiro” dos jogadores. E o mosqueteiro se tornou um símbolo do clube.

Depois, em 1930, a Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos) promoveu uma espécie de tira-teima entre o campeão paulista e o carioca. O Corinthians venceu o Vasco por 4 a 2 no primeiro jogo, no Parque São Jorge. Em São Januário, perdia por dois gols, mas buscou a virada por 3 a 2 e ganhou o apelido cantado em seu hino, “o campeão dos campeões”.

Agora, chegou a vez de um português buscar a glória em preto e branco. Seu primeiro passo nessa tentativa se dará neste sábado (5), às 16h, no Morumbi, em duelo do Campeonato Paulista com o São Paulo. A partida terá transmissão da HBO Max e do Estádio TNT Sports.

O Corinthians deve entram em campo com time titular com poucas alterações em relação às partidas anteriores: Cássio; Fagner, João Victor, Gil e Lucas Piton; Du Queiroz, Paulinho, Giuliano e Renato Augusto; Willian e Róger Guedes. O volante Roni esteve afastado dos últimos treinos após apresentar dores no posterior da coxa direita, e não deve ser escalado para o jogo. O lateral Fábio Santos foi afastado após sentir dores na lombar, e não será relacionado para partida. O meia-atacante Gabriel Pereira também foi afastado da disputa, pois está em negociações com o Grupo City, podendo deixar o Corinthians em breve. Eles se juntam ao meia-atacante Ruan Oliveira, em recuperação após cirurgia no joelho, e ao volante Xavier, que se recupera de lesão muscular. 

O São Paulo, por sua vez, entra em campo sem o lateral Igor Vinicius, o meio-campo Alisson e o zagueiro Diego Costa, afastados por lesão, e o goleiro Jandrei, afastado após ter sido diagnosticado com Covid-19. O meia-atacante Nikão já retornou aos treinos após ter sido afastado por Covid-19, mas ainda não estará liberado para disputar a partida. Sendo assim, uma provável escalação do clube é: Tiago Volpi; Rafinha, Miranda, Arboleda e Léo (Reinaldo); Pablo Maia, Rodrigo Nestor e Gabriel Sara; Emiliano Rigoni, Jonathan Calleri e Marquinhos.

Estádio: Morumbi, em São Paulo (SP)

Horário: Às 16h (de Brasília) deste sábado (5)

Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza

VAR: Jose Claudio Rocha Filho

Transmissão: HBO Max e Estádio TNT Sports

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