Conselho Político da Alba exige o fim das sanções impostas pelos Estados Unidos


Michele de Mello,  Brasil de Fato Fim imediato das sanções impostas pelos Estados Unidos foi a conclusão do Conselho Político da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba-TCP), que se reuniu na última segunda-feira (1), para debater novas estratégias conjuntas de trabalho.

A adoção de medidas sanitárias e econômicas coletivas durante a pandemia da covid-19 foram o tema central da reunião entre ministros de relações exteriores dos oito países (Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda, Santa Lucia, São Vicente e Granadinas). 

O bloco reitera que o principal obstáculo para enfrentar os problemas ocasionados pela pandemia é o bloqueio imposto por Washington a vários países da Aliança. Somente no caso cubano, o governo estima que o bloqueio imposto desde a década de 1960 pelos Estados Unidos, tenha gerado um prejuízo de US$ 114,4 bilhões.

Enquanto na Venezuela, o Estado afirma que o prejuízo anual é de US$ 30 bilhões, desde 2015, quando o país foi considerado uma ameaça à segurança dos EUA, pelo então presidente Barack Obama. 

Além de dificultar o acesso a medicamentos, as sanções econômicas também impedem o livre acesso das nações bloqueadas ao mercado financeiro, a créditos e ao livre comércio com outros países.

“Devemos denunciar em conjunto, qualquer ataque contra nossa região. O projeto da Aliança Bolivariana é um caminho para a liberação dos povos. Ainda que agora estamos enfrentando os efeitos da situação grave que é a pandemia, devemos estar alertas ante qualquer ataque imperial”, declarou o chanceler venezuelano Jorge Arreaza.

Nesse sentido, o ministro nicaraguense Paul Oquist afirmou que se a comunidade internacional está realmente comprometida com os direitos humanos e o multilateralismo deveria exigir o levantamento imediato das medidas coercitivas unilaterais.

A Aliança reiterou a importância de garantir um acesso equitativo às vacinas contra a covid-19, para dar condições de uma imunização massiva ainda em 2020, principalmente nas nações mais vulneráveis. Denunciou ainda a reserva de mercado das vacinas contra a covid-19 pelas potências econômicas. 

Segundo a revista Nature, as cinco maiores economias mundiais e a União Europeia haviam encomendado, no final de 2020, metade dos principais imunizantes que seriam produzidos neste ano. Somente o Reino Unido, com uma população de cerca de 66 milhões de habitantes, já comprou 400 milhões de doses de fármacos produzidas por distintos laboratórios.

Diante deste cenário, os países da Aliança reiteraram a importância de dar uma resposta coletiva à pandemia. 

Cuba e Venezuela já acordaram a criação de um banco de vacinas da Alba-TCP. Cuba ofereceria sua vacina mais avançada, a Soberana 02, que já teve as primeiras 150 mil doses produzidas na ilha. Enquanto a companhia aérea estatal venezuelana faria o traslado dos medicamentos entre as diferentes nações. 

“Defendemos o direito à saúde e à vida, apesar das pressões econômicas e o recrudescimento da política de ingerência dos EUA contra a América Latina, baseados na Doutrina Monroe”, disse o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.

O banco da Alba é responsável por financiar essa iniciativa e também já anunciou a criação de um fundo humanitário, para atender comunidades que passaram por algum tipo de desastre natural, como ciclones, furacões e enchentes; além do programa Alba Saúde e Alba Alimentos para fortalecer a atenção sanitária e alimentar a populações mais vulneráveis. 

“A resiliência, inclusão e sustentabilidade são elementos chave dos nossos objetivos de desenvolvimento e são fundamentais para o nosso futuro”, afirmou o chanceler de Antígua e Barbuda, Chet Greene. 

A próxima reunião será realizada em 15 dias para definir um plano de comunicação estratégico do bloco. 

 

 

(Foto: Alba-TCP/divulgação)

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