Confeiteiro é inocentado quase dois anos após prisão por engano no ES

Confeiteiro é inocentado quase 2 anos depois de ser preso por engano, no ES

Quase dois anos depois da prisão, a Justiça do Espírito Santo reconheceu, neste mês, a inocência do confeiteiro Gilmar Ribeiro Paim. A prisão aconteceu em 5 de setembro de 2019, depois que um criminoso preso por tráfico de drogas apresentou o nome da vítima como dele.

O confeiteiro que mora no bairro Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, na Grande Vitória, passou uma semana detido no Presídio de Viana.

Gilmar contou estava em uma agência bancária quando recebeu a ligação da esposa de que homens estavam procurando por ele. Quando chegou em casa, foi proibido de entrar no imóvel para que não fugisse da abordagem e foi levado direto para a delegacia.

“Ele disse que estava me esperando e perguntou se ia demorar. Eles disseram que eram do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e assim que eu cheguei falaram que tinha um mandado de prisão em aberto para mim por tráfico e tinha que acompanhar eles. Falei que eu ia, mas que não devia nada”, relembrou Gilmar, que saiu de casa algemado pela polícia.

Engano

O erro aconteceu porque, em 2002, um criminoso detido por tráfico de drogas se identificou para a polícia com o nome do Gilmar e apresentou, inclusive, o nome dos pais dele.

A advogada de defesa da vítima, Kelly Andrade, relatou que, na época, foram colhidas apenas as digitais do suspeito e a identidade não foi comprovada.

“Esse homem se identificou como Gilmar e não tinha nenhum documento. Nessa época, ele foi submetido ao exame de recolhimento de digitais. A polícia nunca pediu o resultado do exame de modo que, em 2019, isso resultou na prisão de Gilmar. Quando verificaram as digitais, eles viram que não eram as mesmas e que o criminoso chamava Ronaldo”, explicou a advogada.

Inocência

Após sete dias preso, Gilmar conseguiu um alvará de soltura e passou a responder o processo por tráfico em liberdade. O documento era carregado por ele para todos os lugares para que não fosse preso novamente.

“Lá dentro foi terrível. É coisa que não dá nem para lembrar. Você comendo e eles fazendo a necessidade deles. Eu deitava no chão e forrava com um lençol para passar a noite. Me perguntavam porque eu estava lá. Isso abalou a família toda. Minha mãe tinha acabado de falecer”, revelou GIlmar sobre os dias na prisão.

A sentença do Tribunal de Justiça do Espírito Santo que absolveu o confeiteiro saiu apenas em maio deste ano.

Por causa do erro, a defesa informou que entrará com uma ação contra o Estado. “Nós entendemos que permitiram que houvesse o erro ao não checarem a identidade que foi passada para a polícia”, informou Kelly.

O TJES informou que o caso não será considerado como antecedente criminal, mas que o nome de Gilmar continuará relacionado ao crime de tráfico caso seja feita uma busca no sistema do órgão, assim como a sentença o inocentado, porque não é possível apagar os processos.

Informações: G1


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