Comandante-geral da PM nega agressões à esposa e diz que vazamento de boletins será apurado

Comandante-geral da PM, coronel Douglas Caus — Foto: Gabriela Ribeti/ TV Gazeta

O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, concedeu uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (4) para prestar esclarecimentos após ter sido citado em dois boletins de atendimento da PM como autor de agressões à esposa dele. Após a esposa dizer que tudo não passou de um mal-entendido, ele também negou que houve qualquer agressão física.

Ainda de acordo com o comandante-geral, o vazamento dos registros dos chamados feitos ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), onde constam a descrição dos atendimentos e dados pessoais dos envolvidos, está sendo apurado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp).

“Acredito na apuração que está sendo feita para que nós cheguemos a essa pessoa. Eu não acredito que ela fez isso, pura e simplesmente, por não gostar de mim. Em 32 anos de trabalho, tenho um legado de muitos amigos na polícia. Acredito que esse tipo de vazamento tem sim o objetivo de atingir a instituição e me atingir. É um ato criminoso. Minha intimidade e a intimidade de qualquer capixaba não pode ser exposta desse jeito”, disse Caus.

De acordo com ele, o responsável pode ser processado nas áreas criminal, administrativa e cível. Além disso, pode perder o cargo, caso seja comprovado que houve envolvimento de um funcionário público.

Sobre as ocorrências, o coronel reforçou a versão contada pela esposa ao G1. Segundo ele, os dois registros no Ciodes são referentes a discussões do casal.

Nos dois casos relatados – um em dezembro de 2019 e outro na última quarta-feira (2) – a esposa cobrou atenção por parte do marido e se alterou quando ele precisou sair de casa para resolver situações relacionadas ao trabalho, por exemplo.

No primeiro caso, ela acionou a polícia. No segundo, o filho deles foi quem ligou para o Ciodes após ouvir os pais discutindo. Apesar de os boletins trazerem que a esposa relatou ter sido agredida pelo marido, Caus garantiu que em nenhuma das situações houve violência.

“Não houve agressão. Houve uma discussão a respeito de alguns assuntos relativos à nossa vida íntima, principalmente no que tange à minha grande dedicação à Polícia Militar. Eu reconheci para minha esposa que por causa de toda essa dedicação à PM eu tenho ficado ausente do ambiente familiar, ela me cobra isso. Eu admiti que essa carga excessiva de trabalho tem prejudicado o meu relacionamento familiar”, disse.

O comandante-geral da PM também lamentou toda a repercussão do caso e disse que está à disposição da Polícia Civil para esclarecer o que aconteceu.

“Lamento muito o fato de ter ocorrido isso. Minha esposa já foi ouvida pelo delegado, essa apuração está sendo feita pela Delegacia da Mulher de Vila Velha. Estou à disposição para qualquer esclarecimento e tudo está sendo apurado”.

Entenda o caso

Em dois chamados feitos ao Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), a esposa do comandante-geral da Polícia Militar relatou ter sido agredida por ele. O registro mais recente foi nesta quarta-feira (2), na casa da família, em Vila Velha

O G1 teve acesso aos dois boletins de ocorrência. O primeiro acionamento ao Ciodes por parte da esposa do comandante é de 24 de dezembro de 2019. Na época, Douglas Caus ainda não era comandante-geral da PM e atuava no Hospital da Polícia Militar (HPM).

A descrição do documento diz que a mulher solicitou atendimento porque foi agredida pelo marido. Na situação, o suspeito não estava na casa quando a polícia chegou.

O documento ainda diz que não foi constatada lesão aparente e que a vítima relatou não ter interesse em ir até a delegacia naquele momento, mas que iria posteriormente com familiares.

No boletim desta quarta-feira (2), a informação é de que por volta das 21h o filho casal pediu apoio da polícia porque os pais estavam “em vias de fato e muito agressivos”.

Segundo o registro, a mulher disse ter sido agredida por Douglas Caus. O comandante-geral da PM também não estava no local quando a equipe da polícia chegou.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, como a mulher estava nervosa, foi oferecido socorro médico a ela. Os policiais também ofereceram condução até a Delegacia Especializada de Proteção à Mulher, mas ela recusou e pediu que os militares deixassem o apartamento.

Nesta quinta (3), Renata disse que esteve na Delegacia da Mulher de Vila Velha e explicou que, nas duas situações, o que ocorreu foi uma discussão entre o casal sem nenhum tipo de violência física.

 

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