Com ocupação de leitos chegando a 100%, hospitais filantrópicos do Espírito Santo pedem por mais isolamento

Para além dos hospitais públicos do Espírito Santo, nos quais a taxa de ocupação de leitos para a Covid-19 já chegou aos 90%, os hospitais filantrópicos do estado também acendem alerta para o esgotamento tanto de sua capacidade de atendimento quanto da possibilidade de que faltem medicamentos no mercado para atender a todos os doentes.

Diante deste cenário, a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Espírito Santo (Fehofes) junto ao Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apresentaram uma carta durante uma reunião com representantes do governo estadual nesta segunda-feira (15), solicitando a adoção de medidas mais restritivas de isolamento social, a fim de reduzir os índices de transmissão do coronavírus.

“Sabemos dos impactos possíveis para a sociedade devido ao processo de restrição, no entanto nesse momento a prioridade é a vida”, diz um trecho do documento.

Atualmente, existem 36 hospitais filantrópicos no Espírito Santo, sendo quatro deles na Grande Vitória. Tratam-se de instituições privadas, mas que são contratadas pelos gestores públicos para prestar serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o presidente da Fehofes, Fabrício Gaeede, neste momento são quatro as preocupações principais em relação aos hospitais filantrópicos. A primeira delas diz respeito ao número de leitos. Algumas unidades, neste momento, já não possuem mais vagas.

“Os hospitais filantrópicos também estão trabalhando com ocupação acima de 90%, em alguns hospitais já estamos com capacidade de 100% atingida”, disse o presidente.

Com o aumento das internações, os hospitais também já enfrentam um esgotamento em relação à sua infraestrutura, tanto de enfermaria quanto de UTI, para atender à demanda.

Do mesmo modo, as instituições apontam que há escassez de novos profissionais de saúde no mercado que possam dar conta do crescimento da demanda. Reforçam ainda que os profissionais já atuantes estão não só sobrecarregados, como muitos também já foram acometidos pela Covid-19.

Enquanto isso, Fabrício ressalta que existe a preocupação de que o aumento constante das internações tenha como consequência a falta de medicamentos e de insumos no mercado.

“Atualmente não falta nenhum medicamento e nenhum material, mas a nossa preocupação é com a escassez em algum momento se o quadro não se reverter. Nós já encontramos dificuldades com elevação de preços. A preocupação é que se os casos não começarem a reduzir, haja possível dificuldade em adquirir esses insumos”, explicou.

“Atualmente não falta nenhum medicamento e nenhum material, mas a nossa preocupação é com a escassez em algum momento se o quadro não se reverter. Nós já encontramos dificuldades com elevação de preços. A preocupação é que se os casos não começarem a reduzir, haja possível dificuldade em adquirir esses insumos”, disse.

Fabrício também pede que, para além do aumento das medidas restritivas de circulação por parte do governo, a população colabore com o controle da pandemia.

“Os hospitais filantrópicos têm uma história de dedicação a população. Mas nós somos limitados. Estamos fazendo a nossa parte, estamos trabalhando, nossos profissionais estão com sobrecarga de atividade, estão dando o melhor de si. Mas precisamos também que a população faça sua parte, se cuide, faça os cuidados de distanciamento, higienização das mãos, evite aglomerações. O estado precisa da população para vencer esse momento tão difícil que estamos enfrentando”, pontuou.

Leito de UTI para Covid-19 no ES — Foto: Hélio Filho/Governo do ES

Leito de UTI para Covid-19 no ES — Foto: Hélio Filho/Governo do ES

 

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