Colombiano acusado de traficar cocaína em blocos de granito é interrogado no Espírito Santo

O colombiano Juan Pablo Munhos Hernandes, acusado de chefiar um grupo que traficava drogas, sobretudo cocaína, dentro de blocos de mármore e granito, foi interrogado no Espírito Santo nesta quarta-feira (10). Ele está preso em Viana desde dezembro de 2019.

Na lista de testemunhas dele estão atores norte-americano e membros do Governo dos Estados Unidos. Juan foi preso na Espanha e extraditado no ano passado para o Brasil.

O interrogatório está acontecendo na Justiça Federal do Espírito Santo, por videoconferência.

O juiz e o procurador estão em casa, em Vitória, Juan Pablo está no presídio de Viana, o advogado no Rio de Janeiro e as testemunhas estão fora do país.

Essa é a última audiência para o julgamento. Depois do interrogatório, o Ministério Público e a defesa terão prazos para apresentar seus argumentos. Em seguida, o juiz decide a sentença.

Pedra foi detonada para que a droga fosse encontrada — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Pedra foi detonada para que a droga fosse encontrada — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Defesa

De acordo com o advogado de Juan Pablo, Patrick Berriel, o colombiano não tem envolvimento com o tráfico internacional de drogas. O acusado se apresentava como negociador de obras de arte.

“Juan Pablo agenciava diversos artistas internacionais. Tal fato foi confirmado por integrantes a Casa Branca e, na época que ele foi preso, ainda estava com financiamento da organização dos estados americanos para que desenvolvesse um projeto de um talk show. Não há menor dúvida que Juan Pablo não tem nenhum ligação com o tráfico internacional de entorpecentes”, disse.

Juan Pablo ostentava uma vida de luxos — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Juan Pablo ostentava uma vida de luxos — Foto: Divulgação/Polícia Federal

A investigação

A Polícia Federal explicou que a investigação começou seguindo quatro mexicanos. Eles entraram no Brasil em 2016, como turistas, mas não a passeio.

Os suspeitos alugaram um galpão, na cidade de Serra, na Grande Vitória, onde “recheavam” o granito com cocaína. A polícia monitorou a movimentação deles por vários dias, até conseguir flagrar o tráfico. Um deles foi preso e condenado a 21 anos e cinco meses de prisão.

Mas a investigação da Polícia Federal revelou que os mexicanos não agiam sozinhos. Eles trabalhavam para o colombiano, que acabou preso na Espanha. Juan Pablo Munhos Hernandes é apontado pela polícia como o chefe da quadrilha.

Segundo a polícia, ele se hospedava em um hotel de alto padrão em Vitória e pagou em dinheiro vivo o aluguel do galpão onde a droga era escondida nas rochas e também a empresa contratada para levar as pedras para a Itália.

Essa empresa e o dono do galpão, de acordo com as investigações, não sabiam do tráfico.

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