Colheita de café com expectativa de quebra no Espírito Santo e na Bahia

Com mais da metade dos grãos de conilon já colhidos no Espírito Santo e na Bahia, a estimativa dos produtores é de uma quebra na safra deste ano. De acordo com a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), que compõe em seu quadro sócios dos dois estados, a queda será maior do que o previsto.

“Para o Espírito Santo, a quebra está superando nossa expectativa. Esperávamos uma redução de 10 a 15%, entretanto, com a colheita sendo efetivada, estamos calculando que a quebra seja de 28 a 30%. Na Bahia é um pouco menor porque ano passado já houve queda por causa da estiagem. Estimamos em torno de 5 a 10% a menos na safra”, explicou o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.

Apesar das localizações geográficas diferentes, Espírito Santo e Bahia seguem em ritmo parecido de colheita. A expectativa é de que grande parte do café seja colhido em 30 dias nos dois estados. Entretanto, com um número menor que o esperado.

“A estimativa era de receber cerca de 1,5 milhões de sacas de café em nossos armazéns. Ao longo das últimas semanas percebemos que teremos uma quebra maior, de cerca de 30%, e a previsão é de receber 1,3 milhões de sacas neste ano”, afirmou o gerente corporativo comercial de café da Cooabriel, Edimilson Calegari.

Os números representam o que já é visto no campo. No Espírito Santo, neste ano a safra teve um atraso. “O andamento da colheita já está em torno de 40%. Observamos que o rendimento está um pouco diferente do previsto, abaixo do esperado, por isso a expectativa é de um resultado menor”, esclareceu o coordenador técnico da Cooabriel, Perseu Fernando Perdoná.

Na Bahia, em Teixeira de Freitas e região, a colheita deve terminar só em agosto. Choveu bastante e ainda há grãos verdes. Na região, a maioria da colheita é mecanizada. “O rendimento não está como gostaríamos, mas neste mês o desenvolvimento dos grãos deve se uniformizar”, explicou o engenheiro agrônomo da cooperativa, Adriano Barros.

Também na Bahia, mas na região de Camacan, a colheita já está em torno de 75% e houve uma boa maturação de cerca de 80%. Alguns produtores colheram menos em quantidade, mas tiveram melhor rendimento que ano passado. “O rendimento é de 40 a 43 sacas por produtor. A maioria está satisfeita. Outra realidade é que aqui não tivemos falta de mão-de-obra. Na verdade, houve uma grande oferta, já que muitos trabalhadores não puderem ir a outros estados”, disse o engenheiro agrônomo Vicente Thomas, que atua pela Cooabriel na região.

 Mão-de-obra

A grande oferta de mão-de-obra não é realidade para grande parte dos produtores. O sócio da Bahia, Rosselito Bonadiman Paulino, deverá concluir sua safra com cerca de 20% de quebra. Em sua propriedade, toda a colheita é mecanizada, mas mesmo assim ele precisa de um pequeno número de trabalhadores.  Em razão do Coronavírus os cuidados foram redobrados. “O início da safra foi um pouco confuso por causa da pandemia. Providenciei todas as precauções, como máscaras e álcool em gel, e organizei a logística. Esse cuidado é importante pois há um aumento no número de casos na região”, ressaltou.

No Espírito Santo, que costuma receber trabalhadores de Minas Gerais e da Bahia, a falta de mão-de-obra foi um problema maior. “Neste ano, houve uma união entre pequenos e médios produtores para se ajudar já que não há grande oferta de mão-de-obra por causa da pandemia.  Tentamos fazer a nossa parte respeitando todas as medidas de segurança divulgadas pela Cooabriel”, afirmou o sócio Célio Siqueira, de Vila Fartura, em São Gabriel da Palha.

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