China refuta afirmações da Otan e diz que não vai recuar diante de desafios sistêmicos


A China respondeu na terça-feira (15) as acusações contidas em um comunicado divulgado após o encerramento da Cúpula da Otan e advertiu que não recuará se quaisquer outros países representarem desafios sistêmicos para ela. A diplomacia chinesa disse que observará de perto os ajustes estratégicos da Otan em relação ao país. 

Respondendo à dura posição dos líderes da Otan sobre a China em um comunicado, o porta-voz da Missão Chinesa na União Europeia (UE) disse na terça-feira (15) que a China não apresentará “desafios sistêmicos” para os outros, informa o Global Times.

“As afirmações da Otan caluniaram o desenvolvimento pacífico da China, julgaram mal a situação internacional e seu próprio papel e continuaram a mentalidade da Guerra Fria misturada com política de grupo, disse a Missão, respondendo às declarações contidas no comunicado assinado em Bruxelas por líderes dos 30 membros na Aliança Atlântica por insistência da nova administração Biden”, escreve o editorialista do jornal chinês.

“Os líderes da Otan disseram em comunicado divulgado após a reunião da Aliança na segunda-feira que “as ambições declaradas e o comportamento assertivo da China apresentam desafios sistêmicos à ordem internacional baseada em regras e às áreas relevantes para a segurança da Aliança”. A Otan também acusou a China de expandir rapidamente seu poderio nuclear e de ser opaca sobre sua modernização militar.

Em resposta, a Missão Chinesa na UE disse que a China sempre buscou uma política de defesa nacional de caráter defensivo e manteve sua modernização militar legítima, aberta e transparente.

“Em 2021, o orçamento de defesa da China é de 1,35 trilhão de yuans (US$ 209 bilhões), respondendo por 1,3 por cento do PIB do país, que é menos do que a ‘linha de passagem’ da Otan”, disse o porta-voz da Missão. “Em contraste, a aliança de 30 membros da Otan tem um gasto militar total de US$ 1,17 trilhão, representando mais da metade da soma dos gastos globais e 5,6 vezes o da China.”

“Está claro para o mundo de quem são as bases militares que se estendem por todo o mundo e os  porta-aviões que estão vagando para usar sua força militar”.

Quanto às armas nucleares, o número de ogivas nucleares entre os membros da Otan é quase 20 vezes maior do que o da China, segundo estatísticas de think tanks da Suécia e dos Estados Unidos, observou a Missão Chinesa na UE, questionando se a Otan poderia assumir o mesmo compromisso da China, que assumiu como compromisso o princípio de “não ser o primeiro a usar” armas nucleares em qualquer momento ou sob quaisquer circunstâncias, e o compromisso incondicional de não usar ou ameaçar usar armas nucleares contra países ou regiões que não possuam armas nucleares.

“A China está comprometida com o desenvolvimento pacífico, mas nunca esquecerá a tragédia do bombardeio da sua Embaixada na Iugoslávia, nem os sacrifícios das casas e vidas de nossos compatriotas”, enfatizou a Missão Chinesa na UE. “Defenderemos inabalavelmente nossa soberania e interesses de desenvolvimento e ficaremos de olho nos ajustes estratégicos e nas políticas da Otan em relação à China.”

A China não representará nenhum “desafio sistêmico” para os outros, mas não ficará inativa diante de qualquer desafio sistêmico, disse sua Missão na União Europeia.

A MIssão exortou a Otan a manter uma atitude racional quanto ao desenvolvimento da China, e parar a propaganda multifacetada sobre a “teoria da ameaça da China” e usar os direitos legítimos da China como pretexto para manipular a política de blocos, criando confrontos ou estimulando a competição geopolítica”. 

Jen Stoltenberger, secretário geral da Otan

Jen Stoltenberger, secretário geral da Otan (Foto: Agência Brasil)

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