Casos de síndrome respiratória aguda grave voltam a crescer no Brasil pela 1ª vez desde julho, aponta Fiocruz

Tendência já vinha sendo apontada em um número crescente de capitais, mas dessa vez vale para todo o país. A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no país são pelo coronavírus; 12 capitais têm sinais de crescimento de casos há pelo menos 6 semanas.

Por Lara Pinheiro, G1

Fila grande e aglomeração foram registradas nesta terça-feira (24), em agência da Caixa em Salvador — Foto: Victor Silveira/TV Bahia

Fila grande e aglomeração foram registradas nesta terça-feira (24), em agência da Caixa em Salvador — Foto: Victor Silveira/TV Bahia

A Fiocruz apontou, pela primeira vez desde julho, uma tendência de aumento para todo o país nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), segundo a última atualização do boletim de monitoramento semanal Infogripe, na terça-feira (24). O levantamento considera números registrados até sábado (21).

A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no país têm o vírus da Covid-19 (Sars-CoV-2) como causa, segundo dados da fundação.

As tendências de aumento nos casos já vinham sendo apontadas pela Fiocruz há várias semanas em um número crescente de capitais, mas esta é a primeira vez que esse aumento é sinalizado para todo o território brasileiro.

A última vez em que uma tendência de crescimento havia sido indicada foi na semana de 28 de junho a 4 de julho – período correspondente à semana epidemiológica 27. A semana epidemiológica é uma convenção usada internacionalmente que vai de domingo ao sábado de uma determinada semana. Nesta quarta-feira (25), o Brasil está na semana epidemiológica 48.

As tendências calculadas pela Fiocruz se referem ao período anterior à data do boletim. Por exemplo: as tendências de longo prazo apontam para o que tem sido visto nas 6 semanas anteriores a ele em cada capital; já as de curto prazo apontam para as 3 semanas anteriores.

Doze das 27 capitais brasileiras têm sinal moderado ou forte de que houve crescimento de casos nas últimas 6 semanas.

Capitais com sinal forte de crescimento nas últimas 6 semanas:

  1. Belo Horizonte
  2. Campo Grande
  3. Maceió
  4. Salvador

Capitais com sinal moderado de crescimento nas últimas 6 semanas:

  1. Curitiba
  2. Natal
  3. Palmas
  4. Plano piloto de Brasília e arredores (Região de Saúde Central do DF)
  5. Rio de Janeiro
  6. São Luís
  7. São Paulo
  8. Vitória

O número de capitais sob alerta de aumento a longo prazo vem aumentando: de 7 capitais no início de outubro para 10 no fim do mês e, agora, 12. O cenário nas capitais vem sido alertado pela Fiocruz vem sido apontado desde pelo menos meados de setembro.

Além do aumento visto nas capitais, 21 estados mostraram tendência de aumento nas últimas 6 ou 3 semanas em ao menos uma macrorregião de saúde. As macrorregiões são formadas por uma ou mais regiões de saúde estruturadas para atender casos de média e alta complexidade.

Veja, abaixo, as tendências nos estados:

  • Tendência de aumento para todo o território estadual: Acre, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. Em Santa Catarina, há tendência de aumento em 6 das 7 macrorregiões de saúde.
  • Tendência de aumento para mais da metade das regiões de saúde: Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.
  • Tendência de aumento para metade das regiões de saúde: Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí.
  • Tendência de aumento para um terço das regiões de saúde: Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro.
  • Goiás e Mato Grosso têm tendência de aumento para 20% das regiões. A Fiocruz alerta que as tendências para Mato Grosso, entretanto, não são confiáveis, porque há muita diferença entre os dados usados no boletim e os vistos no sistema do próprio estado.

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