Capixaba perde R$ 30 mil em golpe aplicado através do WhatsApp

No golpe, criminosos entram em contato com a vítima pelo aplicativo fingindo ser um parente ou amigo. De acordo com o delegado, esse tipo de crime vem sendo registrado quase todos os dias.

Por Mário Bonella, G1 ES e TV Gazeta

Mais um tipo de golpe aplicado através do aplicativo de mensagem WhatsApp tem feito vítimas e causado prejuízo. No Espírito Santo, um homem perdeu R$ 30 mil após acreditar que estava conversando com o próprio filho e fazer transferências bancárias. De acordo com um delegado, esse tipo de crime vem sendo registrado quase todos os dias.

No golpe, os criminosos entram em contato com a vítima pelo aplicativo fingindo ser um parente ou amigo. Para que a vítima não desconfie, os golpistas conseguem a mesma foto usada por esse parente na conta original, e explicam que trocaram de número, justificando o fato de estarem com um número diferente daquele que a vítima já tem registrado.

Depois, dizem que estão precisando de uma quantia em dinheiro por terem atingido o limite diário de transferência bancária, e pedem que a vítima deposite o valor.

“Não é uma clonagem. Na verdade, é alguém tentando se passar por você usando um número novo”, explicou o especialista em Segurança Digital Gilberto Sudré.

O pai de um médico caiu no golpe e fez cinco transferências, totalizando R$ 30 mil. Na ocasião, um golpista se passou pelo filho dele.

“Ele falou: ‘Eu estou na clínica, precisando de um favor seu. Meu limite excedeu, preciso tirar um dinheiro hoje para pagar com urgência um fornecedor’. E eu fiz o primeiro depósito de R$ 2.900. E foi pedindo mais durante o dia. Eu liguei para o número velho do meu filho e ele não atendeu. Aí eu fui só colocando e quando eu vi já tinha quase 30 mil, e aí que eu fui cair na real. Eu acreditei pela forma de conversar comigo, sabia como conversar”, disse.

A imagem de um outro médico também foi usada pelos criminosos para a aplicação do golpe. Uma amiga dele, que recebeu as mensagens, chegou a perguntar se ele tinha trocado de número, e o golpista responde que sim.

Mas, antes de fazer a transferência do valor solicitado, ela ligou para o número do médico que ela já tinha registrado no celular, e conseguiu falar com ele, confirmando a farsa.

Mensagens iguais foram enviadas para os irmãos dele. Na última tentativa, além da foto, os golpistas conseguiram até reproduzir uma mensagem de áudio com a voz do médico. Ele descobriu e conseguiu alertar as pessoas próximas.

‘Foram sete tentativas de aplicação de golpe em pessoas próximas a mim através de criação de perfis falsos de aplicativo WhatsApp em que esse estelionatário, esses criminosos, pedem depósito quantia de dinheiro para pagamento de supostos fornecedores”, explicou Roger Bongestab.

O titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos no Espírito Santo diz que outros profissionais já foram vítimas do golpe, mas, recentemente, os médicos são o alvo principal. De acordo com ele, há praticamente um registro por dia desse tipo de ocorrência.

“A grande maioria desses casos, mais de 90% deles, é de criminosos que estão atuando fora do estado do Espírito Santo. Pode ter relação com a pandemia, uma vez que os criminosos sabem que as pessoas ficam mais nos telefones celulares, trabalhando em casa. Então, os criminosos podem ter pensado ser mais fácil ganhar dinheiro nessa época. Fato é que começou com a pandemia e uma vez por dia a gente registra uma ocorrência dessa”, disse.

Em uma outra tentativa, o golpe só não foi concluído porque o pai de uma médica desconfiou da maneira como a mensagem estava escrita.

“Ela escreveu: ‘Preciso de um favor do senhor’. Aí eu comecei a desconfiar, porque minha filha nunca me chamou de ‘senhor’. E tinha alguns erros de português no texto”, disse.

Além de observar muito bem o conteúdo da mensagem, o especialista em Segurança Digital diz que ligar para o número antigo da pessoa que está pedindo dinheiro é a melhor forma de evitar o golpe.

Além disso, ele alerta sobre o perigo da exposição de informações e fotos na internet, que facilita o acesso dos criminosos a dados que podem ser usados nos golpes.

“Cuidado com fotos, informações de comportamento, hábitos pessoas e números de telefone, principalmente, porque isso vai dar chance de o golpista ter uma narrativa parecida com a sua”, disse Sudré.

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