Campeonato Capixaba 2022 será o mais internacional da história

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O futebol brasileiro está cheio de jogadores vindos de outros países e que, muitas vezes, fazem boas campanhas pelos clubes. O estado do Espírito Santo não fica de fora e contará com uma “invasão” de jogadores estrangeiros para o Campeonato Capixaba 2022. A reportagem é de Vitor Nicchio, do Globo Esporte.

No total, oito estrangeiros integram os elencos dos 10 times da Série A do Estadual. Da última edição, apenas o camaronês Yaro Ibrahima (Vilavelhense) permaneceu no futebol capixaba. Os demais nomes chegam como apostas vindas do mercado internacional, por meio de parceria entre clubes e agentes ou oportunidade de transação.

Em sua 106ª edição, a elite do estadual terá jogadores de quatro continentes diferentes. O número de participantes, inclusive, poderia ser ainda mais alto. Isso porque o Rio Branco VN emprestou o atacante colombiano Edwin Montaño ao Falcon, de Sergipe.

  • CTE/Colatina: Joey Omotani (Nova Zelândia) e Sinitsyn Nikita (Ucrânia)
  • Desportiva Ferroviária: Nenhum
  • Estrela do Norte: Nenhum
  • Nova Venécia: Nenhum
  • Real Noroeste: Jeferson Cantillo (Colômbia)
  • Rio Branco-ES: Matt McNamara (Estados Unidos)
  • Rio Branco VN: Christopher (Estamos Unidos)*
  • Serra: Marcos Vinício (Portugal)
  • Vilavelhense: Yaro Ibrahima (Camarões) e Ruiz (Perú)
  • Vitória-ES: Nenhum

* brasileiro nascido fora do país

De acordo com o regulamento do Campeonato Capixaba, não há limite para a inscrição de atletas internacionais. No entanto, os clubes poderão incluir nas súmulas até cinco atletas estrangeiros por partida – seja no time titular, seja no banco de reservas.

Nikita e Joey estrearam na derrota por 2 a 0 para o Rio Branco-ES, em amistoso realizado em Marilândia — Foto: CTE/Colatina

Nikita e Joey estrearam na derrota por 2 a 0 para o Rio Branco-ES, em amistoso realizado em Marilândia — Foto: CTE/Colatina

No caso do CTE/Colatina, a contratação do zagueiro ucraniano Sinitsyn Nikita e do meia neozelandês Joey Omotani virou um fenômeno. As postagens no perfil oficial do time da Princesa do Norte nas redes sociais despertaram o curiosidade das pessoas do Brasil inteiro.

Os dois jogadores viviam em sua terra natal e foram atraídos pela oportunidade de jogar no Brasil. Vindos de continentes diferentes, os reforos representados pelo agente Daniel Purset estão morando juntos e se aproximaram em Colatina.

Durante a pré-temporada, Nikita e Joey chegaram a ganhar alguns minutos na derrota, por 2 a 0, para o Rio Branco-ES. O meia neozelandês indica que os dois jogadores se conheceram no CTE e, por falarem inglês, se aproximaram em solo brasileiro.

– Acho que primeiro devo ganhar a confiança do treinador e dos meus companheiros. Depois disso, posso mostrar ao público o que posso fazer. Obviamente na minha estreia não joguei muito, mas achei que Nikita foi bem quando entrou no início do segundo tempo. Para termos sucesso não será apenas sobre Nikita, eu ou qualquer indivíduo, todos precisarão participar, pois o futebol é um jogo de equipe. – declarou ao ge.

O CTE/Colatina ainda mantém em seu elenco o meia-atacante Gildas Donvide. Natural do Benin, o jogador treina com o elenco principal e está sendo observado pelo técnico Pádua Polese. Caso o negócio seja concretizado, o time da Princesa do Norte terá três estrangeiros no elenco pela primeira vez desde a Série B do Campeonato Capixaba 2019, quando teve os meias paraguaios Luis Rodrigues, Angelo Gaona e Lucas Aguero.

Matt McNamara, zagueiro norte-americano do Rio Branco-ES — Foto: Vitor Recla

Matt McNamara, zagueiro norte-americano do Rio Branco-ES — Foto: Vitor Recla

O maior campeão da elite capixaba, Rio Branco-ES (37), e o maior campeão do século XXI, Serra (5), apostam em nomes do hemisfério norte. Apesar disso, os perfis são muito distintos. A começar pela posição: o norte-americano Matt McNamara chega para ocupar a zaga do Capa-Preta, enquanto o português Marcos Vinício é um jovem atacante.

O movimento do Rio Branco-ES visa o objetivo de internacionalizar a marca, mas sem negligenciar a qualidade do jogo. A estratégia do Brancão estará em passar essa valorização para o público respeitando a postura do time do técnico Cipriano Alexandre.

– É interessante ver o campeonato tendo um alcance tão grande no mundo, cobrindo Europa, América do Sul e América do Norte. É uma grande competição, com muita qualidade, e espero poder ajudar nossa equipe a chegar ao topo […] Joguei em diferentes países e fui o único jogador estrangeiro ou único jogador dos Estados Unidos, então não é algo novo para mim. No entanto, ainda é um pouco desafiador, às vezes. Mas, as pessoas do Espírito Santo e, especialmente do Rio Branco, me acolheram como uma família, e tornaram a transição o mais fácil possível. – declarou ao ge.

Marco Vinício, atacante português do Serra — Foto: Wagner Chaló

Marco Vinício, atacante português do Serra — Foto: Wagner Chaló

Sem um grande orçamento em comparação com alguns rivais da Série A do Estadual, o Serra tem feito uso da criatividade na busca por reforços. O atacante português Marcos Vinício é uma das apostas do Cobra-Coral em jovens promissores. O europeu de 17 anos é o mais novo do elenco tricolor e veio do América-RJ.

Camaronês Yaro Ibrahima tem um gol em nove jogos pelo Vilavelhense — Foto: RP Fotografia

Camaronês Yaro Ibrahima tem um gol em nove jogos pelo Vilavelhense — Foto: RP Fotografia

O Vilavelhense é o segundo clube do Campeonato Capixaba 2022 que mais manteve a base do elenco para a temporada vigente. Único estrangeiro remanescente dentre os que disputaram a última edição do estadual, o camaronês Yaro Ibrahima segue com a confiança do técnico Fellipi Marques.

Aos 20 anos de idade e com um gol marcado com a camisa do Vila, o atacante chegou às quartas de final do Campeonato Capixaba e da Copa Espírito Santo pelo time canela-verde, em 2021.

– É como uma tradição. Sempre é assim, cada ano terá um ou mais estrangeiros nos clubes capixabas. Eu acho que, pelo Espírito Santo ser um estado turístico, quando vem jogadores estrangeiros, eles ficam e nunca mais voltam. Eles ficam apaixonados pelo futebol capixaba e ficam pra sempre no estado – declarou ao ge.

Para a atual temporada, o Vilavelhense também terá o atacante peruano Ruiz (21 anos) no plantel. O jogador estava no Credicoop San Román-PER.

Jeferson Cantillo jogou a Série D 2020 pelo Real Noroeste — Foto: Junior Sapo

Jeferson Cantillo jogou a Série D 2020 pelo Real Noroeste — Foto: Junior Sapo

O zagueiro colombiano Jeferson Cantillo faz parte do elenco do Real Noroeste, que está em pré-temporada. Cantillo disputou a Copa Espírito Santo 2021 pelo clube e, por enquanto, é o único estrangeiro do time da Águia Branca.

Atual campeão, o Real Noroeste é uma das equipes que mais investiu em jogadores e chega como o favorito ao título da Série A do Estadual. Um dos entendimentos do jogador de 22 anos é a necessidade de atletas para maior rodagem do elenco merengue para a disputa das competições nacionais.

– É um prazer imenso estar no futebol brasileiro e ter a oportunidade de estar neste elenco, em um clube onde me tratam super bem confiando no meu trabalho. Espero corresponder à altura quando surgirem as oportunidades. Feliz demais no futebol brasileiro onde revelam e tem vários jogadores consagrados, que admiro e sou fã. – declarou ao ge.

Christopher reforça o Rio Branco VN no Campeonato Capixaba 2022 — Foto: Rio Branco VN

Christopher reforça o Rio Branco VN no Campeonato Capixaba 2022 — Foto: Rio Branco VN

Profissionalizado no Tigres-RJ, o meia Christopher do Rio Branco VN, na verdade, nasceu em Newark, cidade mais populosa do estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. A identificação com a cidade nunca existiu, embora o jogador mantenha contato com a avó e a tia, que ainda moram no país.

Por outro lado, a história de Christopher no futebol começou no Espírito Santo. Aos cinco anos de idade, o jogador iniciou nas quadras, através do CT Cosme Eduardo. O meia rapidamente trilhou carreira por Porto Vitória, Espírito Santo e Flamengo, antes de estrear no futebol profissional. Após anos intensos, Christopher ficou conhecido no estado por suas passagens por Desportiva Ferroviária e Nova Venécia.

– Eu cheguei muito novo aqui. Com três para quatro anos, vindo de Brasília. Na época, minha mãe e minhas irmãs moravam em Brasília. Meu avô era quem morava aqui no Espírito Santo, em Vitória. Acabou que viemos tentar a vida aqui e acabamos ficando. Fui criado e tudo o que eu sei eu aprendi aqui. É um lugar onde eu gosto muito e me sinto em casa. A minha família quase que inteira mora aqui. Gosto muito e me sinto, com certeza, capixaba. Me sinto muito capixaba – declarou ao ge.

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