Campanha arrecada absorventes e itens de higiene para mulheres no Espírito Santo

Um programa coordenado pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH), o ES Solidário, começou a receber doações de absorventes e itens de higiene para meninas e mulheres do Espírito Santo. A iniciativa faz parte de medidas de combate à pobreza menstrual.

Pobreza menstrual é um termo usado para a falta de acesso a recursos, infraestrutura e até conhecimento com os cuidados envolvendo a menstruação.

O termo se popularizou durante a pandemia, quando o orçamento doméstico de muitas famílias foi comprometido, sendo majoritariamente dedicado à alimentação.

Um estudo do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicado em maio deste ano estima que, no Brasil, 713 mil meninas vivam sem acesso a banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

A situação, segundo o estudo, também envolve a desigualdade racial. A chance de uma menina negra não possuir acesso a banheiros é quase três vezes maior que uma menina branca estar na mesma condição.

A ideia de receber também doações de absorventes descartáveis no ES Solidário, de acordo com a secretária de Direitos Humanos, Nara Borgo, foi após a análise das famílias que recebem os donativos arrecadados, que são pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza, além da população em situação de rua.

O programa já recebia doações de alimentos, produtos de higiene e dinheiro. Os produtos recolhidos são encaminhados para coletivos, associações e igrejas, com ações sociais que distribuem o material para pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza.

Para doar, o interessado pode levar os itens em uma companhia do Corpo de Bombeiros ou na Defesa Civil do município.

O combate à pobreza menstrual também mobilizou um grupo de adolescentes de uma escola em Vitória.

Com a iniciativa, os estudantes arrecadaram mais de 6 mil absorventes, além de produtos de higiene e sabonete. O material foi doado para a Casa Irmão Tomé, para o Serviço de Engajamento Comunitário (Secri) e parte foi encaminhada para a Pastoral de Rua da Igreja Católica.

No Brasil, 713 mil meninas vivam sem acesso a banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais — Foto: Reprodução/TV Globo

No Brasil, 713 mil meninas vivam sem acesso a banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais — Foto: Reprodução/TV Globo


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