BSF: Educação em tempos de pandemia

No segundo semestre do ano de 2020 os estudantes de direito matriculados no 10º período do curso de direito da faculdade Multivix (Nova Venécia) Moabe Carlos de Oliveira Silva, Rozenildo dos Santos Martins, Gabriel Angelo Massucatti Rissi, Amanda Beatriz Gregório de Souza, Gilcemir Wolkartti, Josenir Veronez, e Sérgio Teixeira de Carvalho realizaram a criação de novo portfólio reflexivo da disciplina de Prática de Extensão Interdisciplinar. Anteriormente, como já noticiado, o trabalho foi realizado na Escola Municipal Cachoeirinha de Itaúnas, com temática voltada à prevenção à dengue, que você pode conferir clicando aqui.

Desta vez o trabalho foi realizado na Escola Municipal Anedina Bretas Correa, com tema relativo às dificuldades enfrentadas para prestar o serviço da transmissão da educação em tempos de pandemia, ligando o mesmo ao exercício da cidadania.

A escola pertence ao Município de Mantenópolis/ES, presta serviços da educação infantil e da primeira etapa do ensino fundamental e vem se destacando a cada provado IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), ficando com a média de 7,6 na última prova, o que a colocou em nono lugar no Estado do Espírito Santo no quadro geral de escolas da modalidade de ensino prestado. Isso mostra que há uma soma de forças tanto da Prefeitura Municipal, que gere indiretamente e aplica a verba corretamente, quanto da gestão da escola em si, que trabalha com responsabilidade e sabe administrar os recursos empregados.

Para o levantamento da realidade vivida com a pandemia, o grupo contou com a ajuda da Diretora Geane Cristina Corrêa Dias e com a professora e pedagoga Júnia Édna Corrêa Marques, que tiveram prontidão em responder tudo que necessário.

Juntamente com as citadas funcionárias, o grupo constatou alguns problemas enfrentados, como a falta de internet para os discentes, falta de material para a gravação das aulas, já que todos foram pegos de surpresa, disparidade entre as aulas remotas e presenciais, sendo esta melhor e a omissão de alguns pais que, no início, deixaram de auxiliar os filhos, o que se resolveu após medidas tomadas pela escola, mas que resta intrinsicamente a questão da conscientização desses familiares.

Cediço que as aulas remotas e a falta de contato podem afetar negativamente as crianças, gerando consequências psicológicas irreparáveis às crianças, que necessitam do primeiro contato nas escolas para desenvolvimento da mente e manutenção das relações intersociais (HOSHINO, Camilla, 2020, disponível em: < https://lunetas.com.br/aulas-remotas-qual-o-impacto-na-saude-mental-das-criancas/ >).

E pensando nisso, o grupo sugeriu como propostas a criação de um plano de aula de reforço facultativa, com um número reduzido de estudantes por vez, com o devido distanciamento e higienização, ocorrendo 04 (quatro) ou 05 (cinco) vezes por semana, dividindo cada turma proporcionalmente. Com isso, problemas como a falta de internet e do nivelamento entre aulas remotas e presenciais seriam amenizados. Ressalta-se que as turmas são de crianças, necessitando de mais contato físico para desenvolvimento psicossocial.

Quanto à conscientização dos pais – que se faz necessária em todos os cenários possíveis – foi proposta a divulgação da cartilha da família do autor Ziraldo, disseminada pelo Governo Federal.

Por último, a mais ousada das propostas: a criação de uma sala com recursos audiovisuais para os professores gravarem as aulas remotas e as disponibilizá-las nas mais diversas plataformas online, inclusive no canal no Youtube da Semec de Mantenópolis, que, diga-se de passagem, foi uma ótima iniciativa. Mesmo após o fim da pandemia a sala terá muita utilidade, pois será possível continuar gerando material gratuito para as crianças e ser utilizado como uma forma de aprimoramento extracurricular.

Salienta-se que a escola ainda não pode se posicionar quanto às propostas, pois foram remetidas recentemente, mas, com certeza, a união dos diversos polos da sociedade, como ocorreu aqui, é essencial para o aperfeiçoamento da gestão pública. Certo que foi possível contribuir com propostas de melhoria.

Mais estudos devem ser realizados, pois, de modo geral, as aulas remotas não atendem as necessidades das crianças. Com certeza, após a análise das propostas, a escola terá mais alternativas de enfrentamento à pandemia, facilitando a continuidade da ótima prestação de serviço. Após o término do período eleitoral o grupo ainda pretende apresentar as possíveis soluções para a prefeitura, para que trabalhem em conjunto.

Todo o exposto faz-nos perguntar se nosso Munícipio também não deveria começar a pensar sobre a abertura das escolas, ainda que com aulas de reforço como as propostas, ficando a questão em aberto. O debate não pode parar, a democracia é necessária, servindo a escola de exemplo, devendo as demais também possibilitar a criação de estudos de aprimoramento.

MOABE CARLOS DE OLIVEIRA SILVA

Graduando em Direito

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