Brasil pode ser protagonista na transição energética para uma economia de baixa carbono

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O Brasil está à frente na corrida por energias mais limpas, pois a matriz energética já é em boa parte renovável. Foi o que destacou Gustavo Estrella, CEO da CPFL Energia, no Congresso de Inovação da Indústria na última quinta-feira (10). 

“O Brasil numa situação bem diferente do resto do mundo.  A nossa matriz já é extremamente limpa e renovável. Hoje, a nossa geração de energia é 85% limpa e renovável com a perspectiva de crescimento desses valores. A gente está numa posição bem mais confortável do que o resto do mundo, em que essa conta praticamente se inverte, ou seja 25% de renovável e 75% não renovável”, comparou. 

Moderador do debate da 10ª Sessão do Congresso, Gustavo Estrella disse que o mundo percebe a importância de se debater uma “economia cada vez mais limpa e verde”. Para ele, a transição energética passa por um dilema. “O primeiro desafio é como lidar com o crescimento da demanda por energia, já que o consumo deve crescer 30% até 2040, liderado por países em desenvolvimento, e o segundo é como limpar nossa matriz atual”, indagou. 

Para Marina Willisch, vice-presidente Relações Governamentais, Comunicação e ESG, da General Motors na América do Sul, o Brasil tem condições de ser um polo de desenvolvimento de mobilidade elétrica e ser protagonista na transição energética. 

“O Brasil tem uma matriz energética mais de 80% limpa e renovável, um potencial enorme para ser polo de indústrias de desenvolvimento e produção de carros elétricos. A gente tem aqui e na América do Sul as principais reservas das baterias de veículos (lítio, nióbio, grafite, manganês), indústrias automotivas das mais desenvolvidas; um parque de fornecedores extremamente competitivo e capacitado; engenharia altamente qualificada e, além disso, um mercado consumidor enorme. Olha o tamanho da oportunidade que o Brasil tem”, exclamou 

Já para André Bello, gerente de Tecnologias de Energia & Descarbonização da  Petrobrás, o Brasil faz transição energética há décadas e, por isso, encontra-se em posição de destaque a nível internacional quando o assunto é geração de energia com baixo impacto para o meio ambiente. 

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Quando o assunto é zerar as emissões de gases que potencializam o efeito estufa, como o CO², Bello diz que o ritmo da transição energética deve ser harmônico, de modo que a matriz atual de energia também seja usada para garantir uma substituição segura e com menos custos aos consumidores. “Temos que aproveitar a nossa capacidade de capital humano, de fazer investimentos complexos, e o aproveitamento de ativos e toda essa infraestrutura construída de óleo e gás para que se faça uma transição inteligente e de baixo custo para a sociedade”, afirmou.

Francisco Scroffa, presidente da Enel X Brasil, afirma que a empresa busca não apenas a transição de sua matriz energética, mas também a dos seus clientes, sejam eles cidades, industriais ou residenciais. “Nossa missão é ser um parceiro na viagem ‘descarbonizadora’ dos nossos clientes”, disse. 

Ele também disse que a empresa trabalha há dois anos no Brasil e deve implementar frotas de ônibus elétricos, que emitem zero carbono. “Falando de transporte público, eu acredito que temos um grande foco nisso, porque ele é responsável por 30% das emissões de gases do efeito estufa nas grandes cidades”, destacou. 

Para Marianne Walck, diretora adjunta de Ciência e Tecnologia do Laboratório Nacional de Idaho, nos Estados Unidos, a melhor forma de estimular a adoção de soluções sustentáveis de baixo carbono é integrar boas políticas públicas, o investimento da iniciativa privada e, também, a propaganda junto aos consumidores. 

“O que nós precisamos fazer para encorajar essa transição é mostrar à sociedade que isso vale a pena. Nós precisamos ajudá-los a entender que os empregos que talvez sejam fechados na indústria de carvão, por exemplo, podem ser substituídos por tecnologias de enegia limpa”, concluiu. 

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilFoto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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