Bolívia pede que Brasil e EUA não interfiram em assuntos internos após prisão de golpistas


A Bolívia pediu, nesta quinta-feira, 18, que Brasil e Estados Unidos não intervenham em seus assuntos internos, após os dois países criticarem a prisão da ex-presidente golpista Jeanine Añez e outros participantes do golpe de Estado contra Evo Morales em 2019.

Em comunicados, o Ministério das Relações Exteriores boliviano afirmou ter se reunido em La Paz com diplomatas dos EUA e do Brasil, separadamente. Foi pedido à encarregada de Negócios de Washington em La Paz, Charisse Phillips, que se abstenha de “intervir em assuntos internos” e, para o embaixador do Brasil, Octavio Henrique Dias, a Bolívia pediu nenhuma interferência no processo judicial contra os golpistas.

Golpistas presos na Bolívia

Añez e ministros do governo golpista foram presos na semana passada após ordem de tribunal boliviano. A ex-presidente e outros nove altos funcionários de seu governo são acusados ​​de terrorismo, sedição e conspiração. A juíza de Investigação Criminal de La Paz, Regina Santa Cruz, decretou no domingo, 14, quatro meses de prisão preventiva para Añez.

Añez deixou o cargo no início de novembro, quando Luis Arce, do Movimento pelo Socialismo (MAS), assumiu o cargo, tendo vencido uma eleição esmagadora em 18 de outubro. A votação foi adiada várias vezes, gerando protestos e alimentando temores de uma virada ainda mais longe da democracia.

Bolsonaro critica prisão de Añez

Resultado do golpe contra Dilma Rousseff no Brasil e da farsa que tirou Lula das eleições de 2018, Jair Bolsonaro criticou a prisão de Añez durante reunião virtual do Foro para o Progresso da América do Sul (Prosul). Segundo o presidente, a alegação de que Áñez participou de um golpe de Estado contra Evo Morales é “totalmente descabida”.

“Nesse sentido, nos preocupam os acontecimentos em curso na Bolívia, nosso vizinho e país irmão, onde a ex-presidente Jeanine Áñez e outras autoridades foram presas sob a alegação de participação em golpe, que nos parece totalmente descabida. Esperamos que a Bolívia mantenha em plena vigência o Estado de Direito e a convivência democrática, disse Bolsonaro.

Inscreva-se na TV 247 e torne-se membro:

Presidente eleito da Bolívia, Luis Arce

Presidente eleito da Bolívia, Luis Arce (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Leia mais

Leia também