Biofábrica do Método Wolbachia é inaugurada em Campo Grande

Biofábrica do Método Wolbachia é inaugurada em Campo Grande

Quando presente no Aedes aegypti, a Wolbachia impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam no inseto Foto: Agência Brasil

A biofábrica do Método Wolbachia em Campo Grande (MS), inaugurada nessa quinta-feira (10), viabilizará a produção de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia para atender a capital sul mato-grossense, dentro da parceria entre o Ministério da Saúde, o World Mosquito Program (WMP Brasil), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a prefeitura de Campo Grande e o governo de Mato Grosso do Sul. Na ocasião, foi feita a liberação dos wolbitos – como são chamados os Aedes aegypti com a Wolbachia – marcando o início das liberações semanais no município.

Quando presente no Aedes aegypti, a Wolbachia impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam no inseto, contribuindo para a redução das doenças. 

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, destacou a importância da Wolbachia. “Esse é um método de controle das arboviroses que tem apresentado resultados promissores. Ao contrário de matarmos mosquitos, nós soltamos os mosquitos com a Wolbachia e assim conseguimos controlar as arboviroses”. Segundo ele, essa não é uma medida isolada: “A Wolbachia é mais uma arma na luta contra o mosquito. Não podemos deixar de ter os cuidados diários contra esse inimigo”, alertou.

Em Campo Grande, as liberações começam pelos bairros Guanandi, Aero Rancho, Batistão, Centenário, Coophavila II, Tijuca e Lageado. Os wolbitos serão liberados semanalmente nesses locais, durante 16 semanas, por agentes da prefeitura.

Método Wolbachia

O Método Wolbachia tem eficácia comprovada. Um Estudo Clínico Controlado Randomizado (RCT, sigla em inglês), feito em Yogyakarta, Indonésia, aponta uma redução de 77% na incidência de dengue em áreas tratadas com Wolbachia em comparação com áreas não tratadas. No Brasil, dados preliminares observacionais apontam redução de 75% dos casos de chikungunya em Niterói.

A Wolbachia é um micro-organismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti, e foi introduzido por pesquisadores do WMP, iniciativa global sem fins-lucrativos que trabalha para proteger a comunidade global das doenças transmitidas por mosquitos.

O Método Wolbachia consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais e seja estabelecida uma população toda com Wolbachia.

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