Assaltos a mão armada assustam moradores de rua da Praia da Costa

Na noite de sexta-feira (14), foi mais uma ocorrência sem que nenhuma autoridade tome providência para melhorar a segurança na rua Dr Jairo Mattos Pereira, na Praia da Costa. Desta vez, foi a vez uma mulher, que estava chegando do interior para passar o final de semana na casa de parentes, que foi assaltada a mão armada, em frente ao prédio onde moram parentes seus, e teve seu carro, um Honda Fit, placas GZS 2132, levado por dois homens.

Toda a cena do crime foi gravada por circuitos de câmaras do prédio onde moram seus parentes e também de prédios vizinhos e as imagens mostram claramente o rosto dos dois homens e também que eles chegaram em um outro carro branco. O carro com os bandidos passou por ela na rua Dr Jairo Matos Pereira, em frente ao Instituto de Olhos do Espírito Santo, e entrou à direita, na rua Vinicios Torres, que não tem saída.

O carro parou na rua Vinicios Torres e os dois homens desceram e se dirigiram com o objetivo de praticar o assalto. Nas imagens das câmaras de segurança dá para ver um dos homens colocando, na cintura, a arma com a qual, possivelmente, foram feitos os três disparos em direção a mulher e seus parentes, que saíram em seu socorro.

TIROS

Com os gritos da vitima, o marido dela e vizinhos desceram correndo as escadarias e, como os bandidos tiveram dificuldade para arrancar com o carro e as pessoas chegaram, deram três tiros em direção a um cunhado dela, mas que não acertaram. Toda a cena foi assistida pela janela pelos vizinhos, que começaram a gritar junto, chamando a atenção de todos na rua.

Um vizinho ligou para o Ciodes enquanto o fato ainda estava ocorrendo e uma viatura da Guarda Municipal chegou 10 minutos depois, mas os bandidos haviam fugido pela avenida São Paulo, embaixo da Terceira Ponte, em direção à avenida Champagnat. O marido da vítima, que foi o primeiro a chegar e ver os bandidos, pegou um outro carro e saiu atrás deles, mas não os encontrou. Meia hora depois, chegou mais uma viatura da Polícia Militar.

Buscas foram feitas durante toda a noite, mas o veículo, que havia sido adquirido há apenas dois dias, não foi encontrado. Pela manhã, ela recebeu uma mensagem por direct no instagran de uma comerciante do bairro Boa Vista, que encontrou a carteira dela com todos os documentos, jogada no chão. Segundo a comerciante, ela viu quando os dois homens passaram e deixaram a carteira “cair”.
“Foi desesperador. Pensei que eles iriam me matar. Eu quero recuperar o carro, que compramos há dois dias e fizemos a primeira viagem para passar o final de semana na casa da minha cunhada. Ainda bem que eu não estava com meu bebê no colo”, disse a vítima, que pediu para não ser identificada.

Os moradores da região estão cansados dos assaltos ali. Segundo eles, os bandidos descobriram que a rua não tem vídeomonitoramento e nem policiamento. Nas últimas semanas, houve pelo menos quatro ocorrências semelhantes. A primeira foi a tomada de assalto, em plena luz do dia, do carro do pastor da igreja batista, que chegava para gravar o culto exibido aos domingos para seus fieis. A igreja está fechada há cinco meses, desde que começou a pandemia.

Era uma sexta-feira e o carro do pastor foi encontrado, intacto, dois dias depois, um domingo, na rua Telmo da Motta Torres, estacionado bem próximo ao viaduto sobre a alça da Terceira Ponte. O homem que praticou esse assalto também teve sua imagem gravada por câmaras de segurança e foi reconhecido como a mesma pessoa, que duas semanas depois, em pleno sábado, durante um casamento que era realizado de dia, tentou tomar de assalto um volvo de um convidado da cerimônia, mas o motorista arrancou e escapou do assalto.

Os moradores, alertados pela arrancada empreendida pelo motorista do veículo, viram a assaltante colocando a arma na cintura e caminhando tranquilamente e entrando à direita também na rua Vinicios Torres, em direção ao Shopping. Apesar do registro no Procon, após esse assalto a polícia não apareceu. As imagens do assaltante também foram gravadas.
“O clima é de insegurança e de medo. Tem uma cracolândia aqui perto, embaixo da Terceira Ponte, onde o tráfico rola solto. Já tivemos o prédio invadido várias vezes por pessoas que querem roubar possivelmente para trocar por drogas. Instalamos câmaras, passamos a deixar trancado o portão de acesso aos apartamentos, mas nada disso intimida os bandidos. Agora, está ficando pior, porque as ocorrências estão acontecendo a qualquer hora. É muito constrangimento e medo. E o pior é que não há nenhum trabalho preventivo de segurança. A polícia só reage, não previne”, reclamou um morador.

A insegurança aumentou depois que se instalaram clínicas e consultórios na rua, aumentando a movimento de pessoas e veículos. “Sempre alertamos as pessoas que transitam por aqui para terem cuidado, mas vem muita gente do interior consultar na clínica de olhos e elas, geralmente, são menos atentas”, contou o morador.

No caso desta sexta-feira, a mulher havia descido sozinha para retirar colchões que estavam no porta-malas. Eram 20h52, conforme registro das câmaras de segurança, e os moradores estavam todos em casa. “Foi tudo muito rápido, eles surgiram de repente e me pediram o celular. Eu disse que não estava com o celular e coloquei os colchões entre mim e eles, mas a chave do carro caiu, eles pegaram e entraram no carro. Foi quando comecei a gritar e todo mundo apareceu na janela. Quando meu marido e meu cunhado saíram do prédio, os bandidos fizeram três disparos. Graças a Deus que não acertaram em ninguém”, contou.

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