Após morte de jovem, Justiça dá dez dias para que Governo e Prefeitura apresentem plano de ação para a Piedade, em Vitória

O Estado e o Município deverão apresentar medidas a curto, médio e longo prazo, dentro do escopo do programa Estado Presente.

Morro da Piedade, em Vitória — Foto: Ari Mello/TV Gazeta

Por Naiara Arpini, G1 ES

 

A Justiça do Espírito Santo deu dez dias para que o Governo do Estado e a Prefeitura de Vitória apresentem um plano de ações de proteção policial e de moradores para o Morro da Piedade e seu entorno.

A decisão, assinada nesta quarta-feira (17) pelo juiz Mario da Silva Nunes Neto, foi favorável a uma ação da Defensoria Pública Estadual (DPES) impetrada após a morte de Fabrício Almeida, de 18 anos, no dia 11.

O Estado e o Município deverão apresentar medidas a curto, médio e longo prazo, dentro do escopo do programa Estado Presente.

Fabrício Almeida, de 18 anos, foi morto a tiros na noite desta quinta-feira (11)

Piedade

A Defensoria disse que acompanha a situação dos moradores da Piedade desde o ano de 2018, quando monitora a região com a ajuda das lideranças comunitárias.

Naquele ano, a comunidade ficou marcada pela morte dos irmãos Ruan, de 19 anos, e Damião, de 22. Eles foram assassinados com vários tiros e, de acordo com a polícia, não tinham antecedentes criminais.

No último dia 11 de junho, os moradores presenciaram mais um ataque que resultou na morte do estudante Fabrício Almeida, de 18 anos. Uma adolescente de 16 anos, prima de Fabrício, e um amigo, também de 18, ficaram feridos no ataque.

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os três eram inocentes e não possuíam nenhuma relação com a disputa pelo tráfico de drogas que motivou o ataque.

Nesta quarta-feira (17), moradores prestaram uma homenagem às vítimas da violência n região.

De 2018 até agora, segundo informações do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia da Defensoria Pública, já são quase uma dezena de ataques violentos à Piedade e aos morros do entorno, resultando na morte de pelo menos oito pessoas, outras quatro feridas, três casas incendiadas e 40 famílias expulsas das suas próprias casas.

“Vários moradores e movimentos sociais têm acionado a Defensoria Pública relatando ameaças e intimidações feitas por grupos armados na Comunidades, mas, por receio de retaliação, não aceitam se identificar e registrar formalmente tais ocorrências”, afirma o defensor público Vinícius Lamego.

Segundo ele, mesmo com a interposição da Ação Civil Pública, que cobra a adoção de uma série de medidas, no sentido de se restabelecer a segurança pública em Piedade, Moscoso e nos morros do entorno, o Estado do Espírito Santo e o Município de Vitória, até o momento, não apresentaram um plano de ação estruturado no bairro.

Governo e Município

O G1 entrou em contato com o Governo do Estado e com a Prefeitura de Vitória, mas não obteve resposta até esta publicação.

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