Após duas semanas de protestos, chanceler da Colômbia renuncia


Opera Mundi – A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Claudia Blum, divulgou nesta quinta-feira (13/05) sua renúncia após duas semanas de protestos no país contra as medidas neoliberais de Iván Duque.

Em carta datada na terça-feira (11/05), Blum disse que saída é “irrevogável” e, a partir de agora, a vice-ministra, Adriana Mejía, permanece como encarregada da pasta interinamente.

Os motivos da demissão ainda não foram confirmados e, desde o último final de semanal, havia especulação da saída de Blum. A imprensa colombiana indica que possíveis divergências com a vice-ministra e as duras críticas da oposição à sua gestão possam ter motivado a renúncia.

Mesmo deixando o governo, Blum “confirmou” a  “admiração e apoio” ao presidente Duque afirmando que o país “continuará no caminho da recuperação social”.

“Tenho certeza de que, sob sua liderança, o país continuará no caminho do desenvolvimento sustentável, na recuperação social e econômica dos efeitos da pandemia e na consolidação de consensos que ratifiquem a unidade e a força de nossa Nação”, afirmou.

Além de possíveis desentendimentos, as condenações internacionais em relação à repressão nas manifestações e sobre o uso excessivo da violência por parte das forças de segurança e do Exército nos protestos, as quais foram rechaçadas pela chancelaria colombiana, são possíveis indícios que culminaram na saída de Blum.

Na sexta-feira passada, em nota, o Ministério afirmou que o país rejeitará “pronunciamentos externos que não reflitam objetividade e que busquem alimentar a polarização do país”.

Essa renúncia marca a segunda saída do Executivo de Duque após o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla, deixar o cargo na semana passada em função dos protestos no país.

Novas manifestações

Após a falta de resultados em reunião entre o comitê nacional da paralisação e o presidente Duque, os líderes da greve na Colômbia convocaram uma nova marcha nacional nesta quarta-feira (12/05).

Diversas cidades colombianas, como Cali, Bogotá e Medellín, amanheceram com novas manifestações para exigir garantias para protestar e a desmilitarização promovida por Duque. Entre outras reivindicações, as organizações sociais pedem também a condenação dos excessos da força pública, que já matou 42 colombianos, a renda básica de um salário mínimo para os atingidos pela pandemia da covid-19 e exigem ainda uma reforma na área da saúde, que está sendo objeto de privatização. 

Segundo a emissora Telesur, integrantes do comitê argumentam que está difícil manter diálogo, pois o governo colombiano segue afirmando que vive uma “situação de guerra”, sem reconhecer que os protestos têm cunho social. A violência repressiva também foi pauta na reunião. 

Além da marcha, o comitê central da greve na Colômbia anunciou uma assembleia popular e um encontro nacional em Cali, epicentro dos protestos, nesta quinta-feira (13/05) reunindo todas as correntes que participam da mobilização.

Claudia Blum

Claudia Blum (Foto: Reuters/Luisa Gonzalez)

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