Após dois anos de pandemia, é seguro voltar a andar de ônibus?

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Seja a caminho do trabalho, seja para chegar na faculdade, quem pega ônibus todos os dias sabe da importância que o transporte coletivo tem na própria rotina. Afinal, nem todo mundo tem condições de ter um carro próprio, ou manter os custos de um tanque cheio com a recente alta nos preços dos combustíveis ou até mesmo de arcar com as corridas de transportes por aplicativos.

No entanto, com o surgimento da pandemia e o medo da contaminação da Covid-19, o número de passageiros acabou diminuindo. Dois anos depois, com as rotinas retornando à normalidade, muitos usuários ainda estão se perguntando se é seguro voltar a andar de ônibus.

De acordo com o gerente de manutenção da Santa Zita, Carlos Eduardo Putti, a resposta é sim. Isso porque são realizados procedimentos de higienização diariamente e todos os filtros dos veículos são limpos à noite.

“Os ônibus com ar-condicionado têm ventiladores que renovam o ar dentro dos veículos. Essa capacidade é tão grande que chega a superar a troca de ventilação de um ônibus que trafega com as janelas abertas, por exemplo”, explica Carlos Eduardo.

Considerando esses exaustores, a ventilação dentro dos veículos supera 33% das metas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), segundo a encarroçadora Caio Induscar. Esse número é 63% maior do que o estabelecido para locais fechados como supermercados, bancos e ambientes de trabalho, conforme publicou a revista NTUrbano.

Na empresa Unimar, os processos de higienização envolvem uma equipe que atua dia e noite nas limpezas corretivas e preventivas dos veículos — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

Na empresa Unimar, os processos de higienização envolvem uma equipe que atua dia e noite nas limpezas corretivas e preventivas dos veículos — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

Na empresa Unimar, os processos de higienização são administrados pelo Valmir Ferreira Cruz, coordenador de serviços gerais. Segundo ele, esses procedimentos envolvem uma equipe que atua dia e noite nas limpezas corretivas e preventivas dos veículos.

“Nosso trabalho é 24 horas. Fazemos uma higienização profunda quando os carros estão na garagem e nos preocupamos tanto com o bem-estar dos usuários, quanto o dos nossos funcionários. Nosso objetivo é atender a população da melhor forma possível com um serviço contínuo e qualificado”, pontua Valmir Ferreira.

ACESSO A VÁRIOS ESPAÇOS DA GRANDE VITÓRIA

No Espírito Santo, o Sistema Transcol é uma ajuda e tanto. Por meio do transporte público é possível acessar toda a Grande Vitória com uma única passagem, devido ao grande número de linhas disponíveis. Essa alta capilaridade do serviço garante, acima de tudo, a democracia no acesso a vários espaços dos municípios.

“Tem gente que não tem outra alternativa e o sistema de transporte coletivo metropolitano de Vitória é um grande modelo a ser seguido. Por exemplo, vamos pensar em uma pessoa que mora na Serra, mas quer conhecer as praias de Vila Velha. Com uma única passagem ela atravessa três cidades. Isso é democratizar o espaço urbano. Do contrário, apenas um tipo de público tem acesso a esses lazeres gratuitos”, destaca o especialista em mobilidade urbana e consultor na RT2 Consultoria Rodrigo Tortiello.

Para Tortiello, o ônibus é o meio mais eficiente de transporte quando comparado a outros modos motorizados. Se considerarmos uma faixa de rolamento de 3,5 metros de largura, em uma hora de trânsito, é possível transportar 1.350 pessoas dentro dos carros. Quando mudamos para um ônibus esse número fica 10 vezes maior no mesmo espaço e período de tempo.

“Se transportarmos 30 pessoas de um ônibus, em 30 motos, estaremos poluindo 19 vezes mais, mesmo utilizando diesel. Se elas estivessem em um carro, a emissão de CO2, que causa o efeito estufa, seria oito vezes maior do que no transporte público”, explica Rodrigo Tortiello.

CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO

As empresas operadoras do Sistema Transcol trabalham com profissionais formalmente contratados e capacitados. Antes de irem para as ruas, os motoristas passam por treinamentos de acessibilidade, cortesia, comunicação, condução segura e econômica, ápice normativo, normas da empresa e aulas práticas para fazer o melhor tipo de operação ao usuário. Essas garantias, por exemplo, nem sempre são uma realidade de motoristas que atuam de forma autônoma em alguns aplicativos de transporte.

Segundo Valmir Ferreira Cruz, coordenador de serviços gerais, é feita uma higienização profunda quando os carros estão na garagem — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

Segundo Valmir Ferreira Cruz, coordenador de serviços gerais, é feita uma higienização profunda quando os carros estão na garagem — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

“Já aconteceu comigo, por exemplo, de pegar um passageiro que não sabia ler. Manter a educação para prestar a assistência necessária nesse caso foi fundamental”, comenta o motorista e instrutor da Unimar, Eliel Cláudio Parreira Cruz.

Ainda de acordo com ele, a capacitação recebida faz toda a diferença no dia a dia. “Como funcionário, me sinto bastante satisfeito em fazer parte do Sistema Transcol e ter um emprego com garantias que todo trabalhador com carteira assinada tem. Isso traz segurança para nós”, destaca.

FROTA RECEBE VISTORIA REGULARES

De acordo com Carlos Eduardo Putti, todos os carros passam por um protocolo mensal de avaliação da segurança, desgaste natural, acabamento e conforto ao cliente. Para manter a frota em dia, os veículos são revisados uma vez por mês ou a cada 10 mil quilômetros rodados. Além disso, para fiscalizar a qualidade do serviço de manutenção, os veículos ainda são vistoriados pela Ceturb-ES, com relação às normas que regem o transporte coletivo e as exigências do Governo do Estado.

Todos os carros passam por um protocolo mensal de avaliação da segurança, desgaste natural, acabamento e conforto ao cliente — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

Todos os carros passam por um protocolo mensal de avaliação da segurança, desgaste natural, acabamento e conforto ao cliente — Foto: Antonio Cosme/Divulgação

O diretor executivo do GVBus, Elias Baltazar, ainda relembra que no início do isolamento social, o Sistema Transcol não deixou de circular. “No auge da pandemia, entre março e abril de 2021, quando os coletivos só podiam atender os profissionais da saúde, grande parte das pessoas precisou recorrer a outras formas de deslocamento nem sempre tão acessíveis como o ônibus. Mas vale sempre ressaltar que o coletivo não escolhe passageiros, não cancela corridas, está sempre disponível e atende a todos os bairros da Região Metropolitana”, finaliza.

 

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