Anvisa autoriza primeiro medicamento inalável para tratar depressão grave

Anvisa autoriza primeiro medicamento inalável para tratar depressão grave

Medicamento foi desenvolvido pelo Serviço de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos da UFBA Foto: UFBA

Um medicamento em forma de spray nasal e com ação quase imediata para tratar pacientes com depressões graves desenvolvido pelo Serviço de Psiquiatria do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (Hupes/UFBA), vinculada à Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento é patrocinado pela Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson.

O remédio (Spravato) tem como base a molécula escetamina. O princípio ativo tem relação com a cetamina, um medicamento usado em doses elevadas em anestesias. O Serviço de Psiquiatria do Hupes, há quase uma década, desenvolve pesquisas com a cetamina e derivados. O centro teve papel de destaque nas pesquisas que resultaram na aprovação da escetamina intranasal pelas agências regulatórias do Brasil, EUA e Europa.

“Este medicamento preencheu ainda a lacuna que existia pelo fato de que nenhum antidepressivo começava a atuar em menos de 15 dias, após se atingir a dose terapêutica mínima”, destaca o professor da UFBA, Lucas Quarantini 

A comunidade científica internacional reconhece a cetamina e derivados como uma das maiores revoluções em saúde mental das últimas décadas. Várias ramificações das pesquisas conduzidas no Hupes dizem respeito à tentativa de encontrar formas de cetamina acessíveis economicamente e com melhor tolerabilidade para o paciente.

Além de já ter beneficiado centenas de pacientes, os resultados encontrados até o momento pelo grupo de pesquisa coordenado pelo psiquiatra e professor da UFBA, Lucas Quarantini, vêm sendo apresentados em congressos nacionais, internacionais e revistas especializadas.

Quarantini salienta que o medicamento até o momento é indicado somente para pacientes com depressão grave e que ou já apresentaram falhas em tratamentos prévios ou estão em risco de suicídio. “Este medicamento preencheu ainda a lacuna que existia pelo fato de que nenhum antidepressivo começava a atuar em menos de 15 dias, após se atingir a dose terapêutica mínima. Com a cetamina e derivados se inaugurou uma nova classe de medicamentos: a de antidepressivos de ação rápida”, explica o psiquiatra.

Com informações do Ministério da Educação

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