Antes de ser vendido, veleiro interceptado com 1,5 tonelada de cocaína foi usado por casal para dar a volta ao mundo

Guruçá Cat rodou o planeta entre 2012 e 2016, mas foi vendido há pouco mais de um ano. Antigos proprietários lamentam uso da embarcação para o tráfico de drogas.

Veleiro interceptado e carregado com 1,5 tonelada de cocaína chegou ao Recife na manhã desta terça-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Veleiro interceptado e carregado com 1,5 tonelada de cocaína chegou ao Recife na manhã desta terça-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Interceptado a 270 quilômetros da costa do Recife com 1,5 tonelada de cocaína, o veleiro Guruçá Cat já foi utilizado para dar uma volta ao mundo. O barco foi construído em 2010 por um casal de velejadores, que lamentaram, nesta terça-feira (16), o uso da embarcação para tráfico internacional de drogas. As informações são de Wagner Sarmento, da TV Globo.

Durante quatro anos, entre 2012 e 2016, Guta Favarato e Fausto Pignaton navegaram ao redor do planeta e passaram por mais de 30 países. O Guruçá Cat foi vendido pelo casal há pouco mais de um ano.

“Soubemos que ele já foi vendido outras duas vezes depois disso. Não sabemos quem são essas pessoas. O que nos conforta é saber que tivemos uma história tão verdadeira e honesta com esse veleiro”, relatou Guta por telefone.

Nas redes sociais, construtores de veleiro encontrado com 1,5 tonelada de cocaína relataram que venderam embarcação e lamentaram uso para tráfico internacional — Foto: Reprodução/Instagram

Nas redes sociais, construtores de veleiro encontrado com 1,5 tonelada de cocaína relataram que venderam embarcação e lamentaram uso para tráfico internacional — Foto: Reprodução/Instagram

Segundo ela, o veleiro foi o lar do casal por uma década. Feito todo de madeira, orçado em cerca de R$ 1,5 milhão e com capacidade para até 10 pessoas, o Guruçá Cat passou por lugares como Polinésia Francesa, Ilhas Salomão, Indonésia, Malásia, Tailândia, Madagascar e Moçambique.

As aventuras foram documentadas nas redes sociais e acompanhadas por muita gente. Com a página do Guruçá Cat ainda ativa nas redes sociais, os antigos donos comunicaram a venda e lamentaram o destino do barco.

“Uma pena. O Guruçá era considerado um dos principais veleiros do Brasil. Muitas histórias vividas através deles. Espero que em breve esteja em boas mãos novamente”, escreveu um internauta.

Escoltado, veleiro interceptado com 1,5 tonelada de cocaína entra no Porto do Recife, nesta terça-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Escoltado, veleiro interceptado com 1,5 tonelada de cocaína entra no Porto do Recife, nesta terça-feira (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

Antes da venda, sacramentada em 2020, o casal de Vila Velha, no Espírito Santo, vivenciou um episódio traumático a bordo do veleiro. O Guruçá Cat sofreu um assalto em 2019, nas imediações do município de Maraú, no litoral da Bahia. Guta foi amarrada numa cadeira e agredida pelos criminosos. Os assaltantes levaram R$ 1.200.

Apesar disso, Guta e o marido preferem ficar com as boas lembranças do Guruçá Cat. Vivendo atualmente na cidade de Anchieta, no Espírito Santo, eles trabalham na construção de outra embarcação. E esperam que o veleiro apreendido pela Polícia Federal e pela Marinha do Brasil tenha um final feliz.

“Não acredito que seja o fim do Guruçá. Ele é um barco muito forte, com uma história de vida bonita. Ele foi usado. Não é uma pessoa. Não tem culpa de nada. Esperamos que o barco seja leiloado logo e que possa ficar em boas mãos”, afirmou a velejadora.

O veleiro com 1,5 tonelada de cocaína foi interceptado, na noite do domingo (14), em uma operação conjunta da Polícia Federal e da Marinha do Brasil, com apoio de informações de agências de Portugal, Estados Unidos e Reino Unido. No momento da abordagem, a 270 quilômetros da costa do Recife, cinco pessoas que estavam na embarcação foram presas.

Escoltado, o barco com a droga e a tripulação chegou à capital pernambucana na manhã desta terça-feira (16). Os tripulantes foram encaminhados para a sede da Superintendência da Polícia Federal, no Cais do Apolo, no Bairro do Recife. Depois de prestar depoimento, eles devem ser encaminhados para audiência de custódia.

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