Ampliação de testagem, atraso de resultados e mais exposição ao vírus: o que pode estar por trás do recorde de casos de Covid no Espírito Santo

Entre esta segunda (7) e terça-feira (8), foram 2.418 novos registros de infectados pelo coronavírus, maior número diário desde o início da pandemia no Estado.

Por Naiara Arpini, G1 ES

O Espírito Santo teve nesta terça-feira o maior número diário de casos de Covid-19 desde o início da pandemia. Em 24 horas, foram 2.418 novos registros de infectados pelo coronavírus. O recorde pode estar relacionado a fatores como ampliação da testagem, atraso de resultados e maior exposição ao vírus.

As novas confirmações foram divulgadas por meio do Painel Covid, do Governo do Estado, mas não significam, necessariamente, que as quase 2,5 mil pessoas foram contaminadas de um dia para o outro, e sim que os casos foram contabilizados no sistema neste período.

Para a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), essa crescente observada nos últimos dias está relacionada tanto à ampliação da testagem para toda a população – considerando a testagem de contatos assintomáticos e intradomiciliares que vigorou até 28 de novembro – quanto à maior exposição da população ao vírus.

Dados do Governo do Espírito Santo mostram que nessa fase da pandemia são os jovens os que mais se contaminam e também os que mais transmitem a Covid-19 no território capixaba. Não por coincidência, são eles que têm protagonizado cenas de aglomeração em festas e bares.

Nesta segunda (7), o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, já havia divulgado que, de acordo com os dados de Covid-19 disponíveis até o último sábado (5), o estado já ultrapassou o pico de casos observados na primeira expansão da doença, observada entre junho e julho.

Antes do recorde desta terça, o maior número diário de casos de Covid-19 no Espírito Santo havia sido registrado no dia 7 de julho, quando foram contabilizadas pelo sistema mais 2.156 pessoas contaminadas.

O professor de matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e membro do Núcleo Institucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), que acompanha a curva da doença no Estado, Etereldes Gonçalves, explicou que a quantidade de testes represados também pode ter contribuído para que o Espírito Santo registrasse esse recorde.

“A gente está com muitos testes represados, então esse número de casos recorde pode ser reflexo de uma liberação desses resultados que estavam atrasados. Às vezes, são dados coletados há 15 dias. Geralmente, quando soltam muitos dados de uma vez, eles são mais distribuídos no passado, não estão concentrados num único dia. Esse número elevado não representa o crescimento abrupto agora, mas também não significa que não está crescendo”, ponderou.

Para Etereldes, também não há dúvidas de que as aglomerações registradas no período das eleições estejam relacionadas ao crescimento da pandemia não só no Estado, mas em todo país.

“Com certeza, a alteração do comportamento abrupto que aconteceu foi devido às eleições, porque esse foi o único exemplo de abrangência nacional. Todos os municípios passaram por esse evento e o Brasil todo passou por aumento de casos, então não é coincidência. O vírus tem uma dinâmica natural. Um evento como esse muda a dinâmica de contágio, e foi o que aconteceu”, explicou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que estratégias contra avanço da pandemia são adotadas de acordo com o comportamento da curva da doença que é observada diariamente e que medidas restritivas são definidas pelo mapa de risco e anunciadas pelo governador do estado.

No mapa em vigor esta semana, 49 municípios estão em risco moderado e Mantenópolis está em risco alto para a doença.

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