Aluna denuncia professora por injúria racial em faculdade do Espírito Santo

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Uma estudante universitária disse ter sido vítima de ofensas raciais por parte de uma professora de faculdade particular em Vitória. A informação é de Álvaro Guaresqui, g1 ES

O caso aconteceu nesta quarta-feira (22). A aluna publicou vídeos em que relata o episódio nas redes sociais.

“Eu acabei de passar por um preconceito na sala de aula, pela professora Juliana Zuccolotto. Ela citou tatuagens e começou a falar da origem dela, que veio do presidiário, da prisão […] ela pegou e falou assim que era muito feio tatuagem e que mais feio ainda era quem tinha pele negra e que parecia pele encardida, quem tinha pele negra e quem tinha tatuagem”, disse a jovem no vídeo.

Carolina Bittencourt é estudante do curso de design de moda da Faesa. De acordo com os vídeos que publicou na internet, as ofensas teriam partido da professora Juliana Zucolotto, de 61 anos. Após o episódio, a aluna deixou a sala de aula e chamou a Polícia Militar.

A PM informou que foi acionada para verificar uma possível ocorrência de racismo e que, no local, a aluna relatou aos militares que, durante uma aula, a professora teria solicitado que quem tivesse tatuagem levantasse a mão.

Ainda segundo a PM, a aluna disse que levantou a mão e, a partir de então, a professora teria citado as características físicas da estudante e dito que “tatuagem em pele negra parecia encardido” e que “jamais faria tatuagem nela, pois as marcas seriam coisas de escravos e ela não era escrava”.

Os policiais abordaram a professora, que teria dito que somente fez “um comentário acerca da história do uso de tatuagem” e que fora “mal interpretada” pela aluna.

De acordo com a PM, professora e aluna foram encaminhadas para a Delegacia Regional de Vitória.

Segundo a Polícia Civil, a professora foi autuada em flagrante por injúria racial. Como a penas não ultrapassa quatro anos de detenção, a autoridade policial arbitrou uma fiança.

A professora pagou a fiança e foi liberada para responder em liberdade. O valor da fiança não foi revelado.

A reportagem procurou a aluna. Por telefone, um homem que se identificou como marido da jovem disse que ela já constituiu um advogado, mas que só irá se pronunciar em momento oportuno.

O jornalismo da Rede Gazeta também entrou em contato com a professora. Ela atendeu uma das ligações e disse que se posicionaria em outro momento. Desde então, não respondeu mais às tentativas de contato.

Em nota, A Faesa disse que iniciou uma apuração dos fatos assim que tomou conhecimento do ocorrido e que abriu um processo administrativo para análise do caso e adoção das providências necessárias.

“O Centro Universitário destaca que repudia todo e qualquer ato ou manifestação discriminatória e preconceituosa. Qualquer manifestação contrária a esse posicionamento é ato individual, isolado, e não condiz com a política da instituição”, afirmou a instituição.

Questionado sobre a permanência da professora nas funções, o centro universitário declarou que a professora seguirá no cargo durante as apurações.

O crime de racismo atinge um grupo de pessoas – por exemplo, todas as pessoas de uma determinada raça.

Já a injúria racial é quando a honra de uma pessoa específica é ofendida por conta de raça, cor, etnia, religião ou origem.

Se o alvo do crime for todas as pessoas negras, por exemplo, ele se enquadra como racismo; já se a ofensa for direcionada a uma pessoa, e não à raça como um todo, é uma injúria racial.

Apesar das diferentes bases legais, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 1, que o crime de injúria racial pode ser equiparado ao de racismo e considerado imprescritível, ou seja, passível de punição a qualquer tempo.

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