Adotada por casal de Nova Venécia, confeiteira conhece os pais biológicos e descobre ter seis irmãos

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» Nanny, que até então era filha única, e os irmãos: do lado esquerdo, por parte de mãe, e do direito, do pai

Adotada aos 40 dias de nascida por uma família do Patrimônio do XV, Nanny Apelfeler Peruchi conheceu os pais biológicos, tios, primos e agora, vive a época de descoberta de como é a vida de cada irmão. Depois dos novos fatos em relação à nova família, sobre a mãe do coração, ela diz que o sentimento continua o mesmo: só amor e gratidão

Reportagem especial: Cintia Zaché, Rede Notícia


A história da Eliana Reisen Apelfeler Peruchi, mais conhecida como Nanny, 38 anos, é para lá de emocionante e surpreendente. Moradora de Nova Venécia desde os 40 dias de nascida, a confeiteira artesanal foi adotada pelo casal, Pedro Apelfeler e Maria de Lourdes Reisen Apelfeler, moradores do Patrimônio do XV, interior de Nova Venécia, sendo filha única deles. Até aí o enredo segue normal, até o tempo passar e Nanny conhecer os pais biológicos e descobrir que tem mais seis irmãos. Hoje, casada há 10 anos com Carlos Ronan Peruchi, com tem uma filha de nove anos, Anna Clara, Nanny também é mãe da Mariana, 20.

De acordo com a confeiteira, as novas surpresas que a vida a trouxe, vêm trazendo muita felicidade a ela, que garante que, apesar de ter descoberto a família biológica, o lugar da mãe adotiva, que foi quem a criou e assumiu papel de mãe a vida inteira, sempre estará intacto, guardado e seguro. “Meu amor e gratidão é eterno por ela, isso nunca vai mudar e ninguém irá tirar”, garante Nanny. Confira a história.

» Nanny, as duas filhas, o genro e o marido

“Eu nasci em Eunápolis, na Bahia. Minha mãe era sozinha e sem condições. Sou filha biológica de Adeir Silva e Juscelino, que não eram casados. Como eram muitos novos, minha mãe conseguiu um trabalho em Vitória, aqui no Estado, e resolveu se mudar da Bahia para lá. Ela me deu para uma vizinha, que me trouxe para Nova Venécia, mais especificamente Patrimônio do XV, que me entregou para o irmão dela e a esposa, que foi quem me criou. Quando eu tinha cinco anos, meu pai adotivo faleceu. Então minha mãe me criou sozinha. Mudamos para o perímetro urbano veneciano quando eu tinha nove anos, minha mãe veio trabalhar em casa de família, e eu fui estudar. Com 12 anos eu comecei a trabalhar como babá e aos 15, entrei no ramo do comércio, contabilidade e outros. Aos 18 anos tive minha primeira filha, a Mariana. Sempre soube que eu era adotada. Quando era nova, não tinha vontade conhecer meus pais. Fiquei sabendo que eu tinha uma irmã biológica, maia velha, como cresci sendo filha única, eu queria conhece-la. Então com 25 anos, na época do Orkut, eu consegui entrar em contato com ela e, e combinamos de nos conhecer. Fui até Eunápolis. Lá eu conheci mais pessoas da minha família, o meu pai, minha avó paterna, tias e primas também. Também conheci duas tias por parte de mãe, que me comunicaram que, minha mãe biológica gostaria muito de me conhecer, e que ela sofria por ter me dado, então passei meu número de telefone para elas. Quando retornei para casa, minha mãe biológica me ligou, me contou toda história, o quanto ela se arrependeu, mas que ela pensou no meu bem, de ser criada por uma família. Ela me contou que depois que ela foi para Vitória, se casou e teve mais três filhos e que esses, ela criou, mas que ela sofria muito com essa culpa de não ter criado suas duas primeiras filhas. Fui até ela e conheci também os meus irmãos, o Franklin e o Lucas, o Gabriel já era falecido. De lá para cá, criamos um vínculo, e sempre mantivemos contato na medida do possível, eles também vieram me visitar. Às vezes, ela me cobrava um pouco mais de atenção, eu sempre pedia calma, pois não é simples conhecer uma mãe caos 26 anos de idade, e parecer que nada tinha acontecido, era diferente e eu tinha uma mãe aqui, que me criou, e com muita dificuldade por sinal. Mas eu e ela (mãe biológica) nos dávamos muito bem, eu sou a cópia dela na aparência, e no jeito, ela conversava muito igual a mim. Ano passado marquei de ir visitá-la novamente, em março. Estávamos conversando pelo WhatsApp, ela estava feliz, mas de repente começou a chorar, e disse que queria voltar à adolescência, com a cabeça de hoje, para não ter feito o que ela fez. Eu respondi para ela, que era para ela se perdoar, se libertar dessa culpa, pois eu já havia perdoado. Ela não respondeu mais. Eu achei que ela tinha ido fazer alguma coisa, tomar uma água, ou até ter ido trabalhar. À noite, tive a infeliz notícia de que ela havia falecido naquele momento em que conversávamos. Ela era tão nova, apenas 55 anos. Sinto muita saudade dela. Em junho de 2021 tive a notícia que meu pai biológico também faleceu, em Eunápolis, vítima do Covid-19, aos 57 anos. Nesse dia eu descobri, através da prima, que eu tinha mais três irmãos por parte de pai. Agora no dia três de janeiro foi nosso primeiro contato por telefone. Meu irmão Leonardo fez um grupo com os quatro irmãos, filhos do Juscelino. Eu, o Henrique, 25 anos, que mora em Portugal, o Leonardo 24 anos, e a Samara, 17 anos, que mora em Eunápolis. Foi uma surpresa maravilhosa. Estamos conversando muito, desde então. Cada um contando sua história e nos conhecendo. Foi um presente para esse 2022. Agora só falta nos encontrarmos pessoalmente. Já estamos marcando esse encontro. A maior lição de tudo isso, tem sido o perdão, perdão aos nossos pais pelos erros, no qual todo mundo comete alguma vez na vida. Deus cuidou de cada um de nós, de forma especial. Estamos todos bem e somos pessoas do bem. Estamos felizes, eles vieram para somar na minha vida, e eu espero somar na vida deles também. Minha mãe adotiva ficou com um pouco de ciúmes de toda essa descoberta, e eu entendo. Mas o lugar dela é aquele que sempre foi em minha vida: de mãe”.

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