Adoção e negritude são temas de live da SEDH na programação do Novembro Negro

Como parte da programação do Novembro Negro, da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH), na tarde dessa quinta-feira (26), foi realizada a live “Adoção e Negritude: A Realidade das Crianças e Adolescentes em Acolhimento”, promovida pela Gerência de Promoção da Igualdade Racial (Gepir). A convidada para falar sobre o tema foi a fundadora do Grupo de Apoio à Adoção (GAA) “Gerando com o Coração”, Virgínia Silva.

Na live, ela apresentou os dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). No Brasil, atualmente, existem quase 34 mil crianças e adolescentes abrigadas em casas de acolhimento em todo o País, sendo que pouco mais de cinco mil estão totalmente prontas para a adoção. Quando se faz um recorte racial deste último número, observa-se que 64,3% são pardas e pretas, 34% são brancas, 0,8% são indígenas e 0,4% são descritas como amarelas.

Ainda segundo os dados do SNA, mais de 36 mil pretendentes estão na fila de espera. Virgínia Silva explicou o motivo de ainda ter crianças e adolescentes esperando por uma família, mesmo com um número tão alto de pessoas que querem adotar.

“A maioria dessas crianças e adolescentes é negra, possuem alguma doença, integram grupos de irmãos ou são mais velhas. Elas não se encaixam no perfil que os pretendentes querem. Eu tenho dois filhos negros. Quando adotei meu filho Gabriel, demorou dois meses desde que nos cadastramos e que recebemos a notícia de que havia uma criança para nós. Eu questionei a rapidez, pois sempre ouvia que levava anos, e a assistente social falou que era porque a criança era negra, não era o perfil que a maioria queria”, contou Virgínia Silva.

A fundadora do “Grupo Gerando com o Coração” agradeceu a oportunidade dada pela SEDH para debater o tema.

“Eu agradeço a abertura e o convite feitos pelo Governo do Estado, pela Secretaria de Direitos Humanos, pois aqui no Espírito Santo nunca vi os assuntos ‘adoção’ e ‘negritude’ serem abordados juntos e serem levados para o debate, sendo que eles estão relacionados também”, explicou Virgínia Silva.

Quem mediou a palestra foi a gerente de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da SEDH, Edineia Conceição de Oliveira.

“Abordamos um tema bastante relevante e discutido em poucos espaços: a adoção. Entender o porquê desses lares estarem preenchidos por crianças negras é fazer uma reflexão de um contexto histórico de racismo, que culmina em vários tipos de desigualdades. Implementar políticas públicas de reparação é essencial para começar a reverter essa situação e minimizar toda problemática que a envolve.  A Gerência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado se dispõe a fomentar essa discussão”, explicou Edineia de Oliveira.

 

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