A nove dias do fim do mês, dezembro já supera previsão de 500 mortes por Covid-19

O professor Etereldes Gonçalves, que estuda a evolução matemática da pandemia no ES, agora alerta que, se o isolamento social não for respeitado durante as festas de fim de ano, o estado poderá registrar até 1,5 mil mortes só em janeiro.

Média do número de mortes pela Covid-19 está caindo no ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Média do número de mortes pela Covid-19 está caindo no ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

 

A nove dias do fim de dezembro, o Espírito Santo já ultrapassou a marca de 500 óbitos por Covid-19 que havia sido projetada por um matemático para todo o mês. Com as novas 43 mortes em decorrência da doença registradas nesta terça-feira (22), o Estado agora contabiliza 517 registros de pessoas que perderam a vida desde o dia 1º de dezembro.

Agora, uma nova estimativa feita pelo professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Etereldes Gonçalves, que estuda a evolução matemática da pandemia no Estado, indica que o número total de mortes apenas este mês deve chegar a 650.

Ainda de acordo com ele, se a tendência da contaminação vista atualmente permanecer, só em janeiro o Estado deve registrar mais 800 óbitos causados pelo coronavírus.

“Estamos observando uma inclinação ainda de subida. Esse cenário deve ficar ainda mais assustador nos próximos dias, mas com uma velocidade bem menor do que no início de dezembro”, alertou Etereldes.

Conforme explica o matemático, apesar de já haver uma tendência de estabilização em relação ao surgimento de novos casos da Covid, especialmente na Grande Vitória, o aumento da quantidade de doentes percebido no interior teve um impacto direto no número de internações e também de mortes.

As consequências disso continuarão sendo percebidas nas próximas semanas. “Não podemos esperar que haverá uma descida abrupta”, explica Etereldes.

O professor continua: “Nós temos 547 pessoas internadas na UTI. Das 547 internadas, podemos esperar que um terço ou no mínimo um quarto delas venha a óbito. É o que vem acontecendo durante toda a pandemia e não vai mudar agora”, afirma.

O aumento abrupto do número de doentes, segundo Etereldes, pode ser explicado pelo comportamento das pessoas durante as eleições municipais no mês de novembro. Logo após o pleito, os casos da doença aumentaram em todo o país.

Se no cenário atual a estimativa de mortes para janeiro já é alta, o desrespeito às normas de higiene e de isolamento durante as festas de fim de ano poderá deixar a situação ainda pior. É o que alerta Etereldes.

“Se não houver mudança da tendência atual, podemos ter em torno de 700, 800 mortes. Mas se as festas tiverem o mesmo impacto que as eleições, com aquela subida absurda de óbitos que vimos, aí eu vou dizer que é impossível fazer previsões porque a gente pode chegar a 1,5 mil óbitos. É algo assustador e absurdo”, enfatiza o professor.

Por isso, o professor reforça o pedido para que os cuidados sejam mantidos. “Não há o que fazer para a gente ter menos de 700, 800 mortes em janeiro. Agora, a gente pode evitar que haja 1,5 mil. É isso que as pessoas tem que entender, essa mudança de comportamento é essencial”.

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