A BRIGA DOS COMERCIANTES INDESEJADOS PELOS CLIENTES.

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Cheguei para trabalhar em uma comarca do interior e me deparei com uma pendenga para resolver. Dois donos de funerárias haviam entrado em vias de fato por causa da concorrência pelos serviços funerários. Um acusava o outro de fazer plantão na porta do hospital a espera do próximo defunto. A historia é de que havia um funcionário do nosocômio que passava informações privilegiadas para uma das agencias funerárias, ou seja, já avisava quem estava próximo de bater com a bunda na cerca ou comer o capim pela raiz. Na seqüência o conhecido como “papa defunto” cercava os parentes do de cujus para vender a urna mortuária e os serviços da ultima hora.

O denunciante foi até a promotoria para apresentar as reclamações que tinha contra a concorrência. Também se antecipou e levou a papelada relacionada a atividade de sua funerária na cidade. Ao manusear a documentação um contrato me chamou a atenção pelo seu titulo: PLANO DE ASSISTÊNCIA FUNERÁRIA. Dei uma lida e vi que o cliente se obrigava a pagar por prazo indeterminado a quantia de dez reais por mês. Em contrapartida a funerária iria ceder a o caixão e os serviços póstumos. Perguntei ao moço qual era o preço da urna que ele fornecia pelo chamado plano de assistência funerária. É o mais em conta, custa duzentos e cinqüenta reais, respondeu o indesejado comerciante. Fiz um calculo rápido e conclui que aquele plano só era bom para o cliente se este falecesse em menos de dois anos, pois, do contrario, era melhor aguardar e comprar o produto à vista.

A briga entre aqueles dois comerciantes continuou por um muito tempo. O corpo dos que partiam para a eternidade continuou a ser disputado a unhas e dentes. O tal plano funerário funcionava mesmo. Um dia um velhinho mandou fechar a conta e pediu para falar com São Pedro. A família contatou com o dono de uma das funerárias e o corpo do idoso foi retirado do hospital e levado para os preparativos derradeiros. O dono da funerária concorrente procurou a família do extinto e perguntou por que eles não estavam fazendo o uso do plano de assistência funerária. Os parentes ao ver que nao precisavam gastar com o morto se limitaram a mandar que o plano fosse posto em ação.

Existe um problema, falou o homem que faria os serviços. Eu não apanho o corpo do falecido lá na concorrente, mas se vocês mandarem voltarem com o morto para o hospital, de onde tiraram, eu me encarrego de tudo. O concorrente, além de perder o freguês, foi obrigado a levar o corpo do vovozinho para o hospital.

Texto: Creumir Guerra
Creumir Guerra é Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo

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