A pipoca do seu Gelson

» Seu Gelson Pipoqueiro, no Estádio Zenor Pedrosa Rocha, em 1966

Primeiro pipoqueiro da cidade, seu Gelson era sucesso por onde passava com seu carrinho, sendo presença marcante no estádio e praças, desde a década de 1960


Quem aí já experimentou a pipoca do seu Gelson? Essa ficou famosa e marcada na lembrança de muitos venecianos. Sair de casa para um passeio ou após a Missa, o lugar de muita gente era ali, no carrinho de pipoca do Gelson da Silva Costa.

Seu Gelson foi o primeiro pipoqueiro de Nova Venécia, isso na década de 1960. É o que revela uma de suas filhas, a Geilza Costa Belinossi. “Ninguém tinha um carrinho de pipoca na cidade, e depois que deram a ideia a ele, meu pai encomendou o dele, foi construído. Depois daí, ele não parou mais de trabalhar nisso”, diz.

Seu Gelson era figura cativa nas partidas do Estádio Zenor Pedrosa Rocha, local onde o pipoqueiro costumava levar seu radinho a pilha e de quebra, além da famosa pipoca, os clientes ouviam os jogos e resultados das partidas nacionais, ali mesmo.

Circo, festas, porta do cinema e na Praça Jones dos Santos Neves eram locais fáceis de encontrar seu Gelson, que sempre estava por lá, com sua pipoquinha quentinha e diferenciada. O milho era encomendado em São Paulo, e para comprar a tão querida pipoca, muitas vezes tinha até fila. “Muita gente fala que nunca comeu pipoca igual a dele, acho que era amor, era isso que tornava esse produto saboroso nas mãos de meu pai e da minha mãe”, comenta Geilza.

Seu Gelson trabalhou vendendo pipoca até os 75 anos, e foi essa renda que o fez adquirir um terreno e construir sua casa própria, que ainda está em poder da família, e fica localizada da rua Salvador Cardoso, próximo a mangueira centenária da descida da Igreja São Marcos.

Antes de vir para Nova Venécia, seu Gelson trabalhava de ajudante de pedreiro em Mucuri, na Bahia, e mudou-se para Nova Venécia aos 18 anos. Por aqui, o homem continuou o trabalho como pedreiro e pescador. Foi por volta dos 30 anos que descobriu o novo ramo. “Como foi dando certo, ele largou as outras coisas e passou a viver disso, criou os quatro filhos com a venda da pipoca, sempre com a ajuda da minha mãe”, comenta Geilza.

Em decorrer de um aneurisma na aorta abdominal, seu Gelson morreu em 2011, aos 78 anos, e era casado com dona Élcia de Oliveira Costa, que faleceu dois anos antes dele. A esposa também era pipoqueira, e quem sempre o auxiliou nas vendas. Geralmente, onde o carrinho era visto, estavam os dois trabalhando juntos. O último local onde o casal mais vendeu pipoca, foi na Praça Adélio Lubiana. Os filhos do casal são: Geilza Penha Costa Belinossi, Geilson da Silva, Genilza da Silva e Elciomar Rodrigues, que ainda reside em Nova Venécia e é oficial de justiça do Fórum.

» Dona Élcia de Oliveira Costa vendia pipoca junto com seu Gelson

Depoimentos sobre seu Gelson


A pipoca do seu Teófilo

Depois de seu Gelson, outro pipoqueiro famoso na cidade foi Teófilo Ribeiro. Conhecido por também estar com seu carrinho de pipoca no estádio, circo, em frente à Igreja São Marcos, cinema e praças. Seu Teófilo criou os oito filhos também através da venda da pipoca.

Falecido em 2001 aos 74 anos, o pipoqueiro é pai do autônomo, Sandro Dance, que herdou do pai o dom com a panela e o milho. “Aprendi com meu pai, comecei a trabalhar com ele aos 12 anos. Lembro que trabalhamos em vários eventos, parque de exposição durante festas e shows. Em uma apresentação do Kid Abelha aqui na cidade, meu pai foi ao banco durante a semana após o show e quitou as prestações que faltavam da nossa casa, tudo com dinheiro que ganhou no evento”, conta Sandro.

Seu Teófilo veio de Conceição da Barra, era pescador e já vendia pipoca por lá. A busca por melhoria de vida, fez o barrense mudar para Nova Venécia. O pipoqueiro era casado com a dona Eni Pereira Barbosa Ribeiro, que hoje mora com um dos filho em Belo Horizonte. “Fomos todos criados com o dinheiro que veio da venda da pipoca, fazia muito sucesso. O segredo é o jeito de fazer a pipoca, a quantidade de milho, óleo e sal. Se passar da medida, não fica a mesma coisa. Isso meu pai deixou para mim, minha herança é o segredo da pipoca do seu Teófilo, finaliza Sandro.

Cintia Zache
redenoticiaes

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