Censo 2020: Conheça as novas perguntas do questionário

Novo questionário do Censo 2020 será mais enxuto do que o aplicado em Censo 2010.

por Anny Malagolini

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se prepara para realizar o Censo 2020, o principal levantamento sobre as pessoas no país, que desta vez traz um novo questionário para os cidadãos responderem. Yahoo! Notícias preparou uma série para ajudar a entender melhor o Censo 2020.

O recenseamento demográfico foi modificado pelo governo federal, e agora vai levar menos questões aos brasileiros, mas pela primeira vez incluirá perguntas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O Censo Experimental funciona como um teste deste modelo, previsto para ser realizado entre setembro e novembro deste ano. Já a pesquisa oficial, realizada em todos os 5.570 municípios brasileiros, deve começar em junho do ano seguinte. Apesar das novidades, alguns pontos permanecem iguais. Veja o que muda:

1 – AFINAL, O QUE SERÁ PERGUNTADO?

No questionário básico, serão pesquisadas as informações que dizem a respeito dos moradores, características do domicílio, identificação étnico-racial para todos os moradores, registro civil para pessoas de até 5 anos de idade, mortalidade, rendimento do responsável do domicílio e Educação e se sabe ler e escrever.

Já o questionário da amostra, inclui além das perguntas básicas, questionamentos em torno do trabalho e rendimento com informações sobre o trabalho principal, procura de trabalho, rendimento de todos os trabalhos, rendimento de outras fontes, deslocamento para trabalho

O Censo 2020 quer saber com detalhamento a escolaridade e formação, e deslocamento para estudo. Questões sobre composição do núcleo familiar, religiões ou culto e pessoas com deficiência também entram no recenseamento.

2 – AUTISMO

Outra novidade é que o governo federal sancionou a Lei 13.861/19, que garante a inclusão de perguntas sobre autismo no Censo 2020. Até o momento, pouco se sabe sobre a quantidade de brasileiros que se encaixam no transtorno do espectro autista (TEA). Estimativas apontam que há cerca de 2 milhões de autistas no país.

3 – VERSÃO MAIS ‘ENXUTA’

O IBGE reduziu o questionário básico de 34 para 25 perguntas, nove a menos em comparação com o último Censo. Os questionamentos serão aplicados em cerca de 71 milhões de domicílios brasileiros

O questionário de amostra também terá uma versão mais enxuta, reduzido de 112 questões para 76. Por ser mais extenso, este questionário será aplicado em cerca de 10% dos domicílios particulares permanentes do país, o equivalente a cerca de 7,1 milhões.

4 – O QUE FICOU DE FORA

No novo Censo, o IBGE vai solicitar no questionário básico apenas a renda do responsável pelo domicílio e não mais de todos os seus moradores. O responsável pelo domicílio é escolhido pela própria família e não é necessariamente o que ganha mais.

As perguntas envolvendo a emigração internacional também foram totalmente excluídas, assim como as questões sobre deslocamento de estudantes até suas unidades de ensino, estado civil e número de horas trabalhadas.

Entre as informações que deixarão de ser coletadas, estão a posse de vários bens, como automóvel, motocicleta, computador, telefone celular, geladeira e televisão que constavam no levantamento de 2010. No Censo 2020, estão previstas apenas questões sobre a posse de máquina de lavar roupa e de acesso à internet.

O Censo também não traz especificação da rede de ensino frequentada pelo entrevistado, se é cursado em rede pública ou particular. A pesquisa de 2020 também deixará de discriminar as fontes de rendimento que não os do trabalho e o valor do aluguel pago.

5 – POR QUE MUDOU?

O IBGE anunciou redução de 25% para o Censo 2020, no entanto, o órgão defende que as mudanças estão em sintonia com a tendência internacional e visa uma modernização que torne a operação censitária mais simples e mais ágil, de acordo com informações da Agência Brasil.

Nas simulações, segundo o diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rios, o corte das questões sobre renda no questionário básico significou uma economia de 2 minutos nas entrevistas, passando de 7 para 5 minutos de coleta.

Com relação a retirada de quesitos relacionados a bens duráveis, como televisão, geladeira e automóveis, o argumento, de acordo com o diretor, é que outras pesquisas do IBGE já fornecem esse tipo de informação. “Elas [as informações] são obtidas trimestralmente nas PNAD [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios]. Toda a bateria de bens de consumo é pesquisada pelo IBGEî.

6 – CRÍTICAS

Para especialistas, questões cortadas do censo prejudicam o planejamento do país, a exemplo da exclusão da pergunta se o imóvel é próprio ou alugado, o que impediria que fosse calculado o déficit habitacional no país.

“Você precisa saber onde essas pessoas estão para dirigir empreendimentos imobiliários, públicos e privados, que vão sanar esse problema. Se você não coleta essa informação, você está prejudicando a implementação direta das políticas públicas e, principalmente, a identificação de onde você precisa ir atuar”, apontou Rogério Barbosa, mestre e doutor em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Clínicas Humanas (FFLCH) e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, em entrevista à Rádio USP.

Em nota, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE criticou a versão do questionário. “A versão apresentada, infelizmente, confirma preocupações que já havíamos apresentado. Entre outras consequências, o corte do quesito do valor do aluguel inviabilizará completamente a apuração do Deficit Habitacional, e os cortes nos blocos de emigração internacional e migração afetaram gravemente as estimativas e projeções populacionais, compromete, inclusive, os círculos referentes a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios”, diz o ASSIBGE, conforme publicado no G1.

7 – TRANSFORMAÇÕES AO LONGO DOS QUASE 150 ANOS

Em quase 150 anos de censo, muita coisa mudou no Brasil e não deixam dúvida quanto à sua relevância na atualização do retrato da sociedade brasileira.

O IBGE considera que o primeiro censo no Brasil ocorreu em 1872, em um Brasil com cerca de 10 milhões de habitantes. Este recenseamento perguntava se o cidadão era livre ou escravo -, e foi o único a registrar a população escrava no país. Eram 14 quesitos de informação, além da condição civil: características demográficas, religião e profissão.

No último censo, foram levantadas informações sobre etnias e línguas faladas em comunidades indígenas, existência de telefone celular, motocicleta e acesso à internet nos domicílios. Essa edição foi a primeira a contabilizar casais do mesmo sexo.

A forma da coleta também mudou. Inicialmente, os questionários eram impressos e respondidos em papel. Hoje são eletrônicos, aplicados por meio de um computador de mão e podem ainda ser respondidos pela internet.

8 – COMO É EM OUTROS LUGARES?

O censo brasileiro é, em termos internacionais, um dos mais detalhados de que se dispõe. Em 2020, além do Brasil, os Estados Unidos também farão o censo demográfico. No país norte-americano, a pesquisa é feita pelo Departamento do Censo dos EUA, oficialmente Bureau of the Census, responsável por colher dados sobre a população e economia a cada dez anos.

O plano de Trump era acrescentar ao questionário a polêmica pergunta sobre a nacionalidade dos entrevistados, se eles são cidadãos dos Estados Unidos ou não. Após muitas críticas, o presidente desistiu e disse que o trabalho em relação a cidadania será feito por agências federais.

A contagem de 2020 será a primeira a permitir que todos os lares dos EUA respondam on-line, no entanto, os tradicionais formulários em papel ainda estarão disponíveis. Nesta edição, pela primeira vez, os cidadãos poderão responder a entrevista por telefone. Diferentemente do Brasil, os funcionários do Censo só realizam visitas domiciliares em áreas remotas – incluindo o Alasca e algumas reservas indígenas americanas.

Em 2020, a população dos Estados Unidos está projetada para ser 333.546.000, um aumento de 8,03% em relação ao Censo de 2010. Enquanto no Brasil, o IBGE prevê um aumento de 10,4% em relação ao último recenseamento, chegando a 212 milhões de pessoas.