Grupo de milicianos fatura mais de R$ 1 milhão por ano no RJ, aponta investigação

Secretário da Polícia Civil diz que está investigando o poder financeiro das quadrilhas

Operação combate grupos de milicianos na Zona Oeste do Rio (Arquivo) Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Apenas um grupo de milicianos da Zona Oeste fatura por ano cerca de R$ 1,4 milhão (R$ 120 mil por mês) com a exploração de venda de água, transporte clandestino e transmissão ilegal de TV a cabo, além da cobrança de taxas de segurança. Esses valores, que dão a dimensão do lucro das quadrilhas, foram levantados pela polícia durante a investigação dos homicídios da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Segundo o delegado Marcus Vinícius Braga, secretário de Polícia Civil, o lucro pode ser ainda maior:

— Em uma única ação, mais de R$ 5 milhões em bens foram sequestrados de uma milícia da Zona Oeste.

O secretário disse que a polícia está trabalhando para atacar o lado financeiro das milícias. O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, estrutura da Polícia Civil com dez delegados e 80 agentes, investiga hoje cerca de 1.400 pessoas, entre elas paramilitares.

Como O GLOBO mostrou neste domingo, as milícias já estão em 26 bairros do Rio e em outras 14 cidades do estado . Somente no município do Rio, estão sob o jugo de milicianos, direta ou indiretamente, cerca de 2,2 milhões de pessoas. Segundo o promotor Luiz Antônio Ayres, um dos maiores especialistas em milícia do estado e que há duas décadas atua na Zona Oeste, o mapa da expansão dos grupos paramilitares no estado já inclui cidades da Região dos Lagos.