Mais de 100 crianças e adolescentes aguardam famílias para adoção no Espírito Santo

Maria e a mãe Gabriela — Foto: Arquivo Pessoal

Maria e a mãe Gabriela — Foto: Arquivo Pessoal

Por Thaiz Altoé e Thamara Machado, G1 ES

Quando completou 15 anos, Maria – que hoje tem 17 – perdeu as esperanças de um dia ser adotada e amada por uma família. Mas há um ano veio um presente: a família Martinelli, que a acolheu sem pensar na idade dela. Essa é a proposta de uma campanha do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES), que incentiva a adoção tardia.

Segundo o banco de dados do Sistema de Informação e Gerência da Adoção e do Acolhimento (SIGA/ES), no Espírito Santo existem 106 crianças com mais de 10 anos de idade esperando por uma família. Desse total, apenas 13 estão em processo de adoção.

Essa era a situação de Maria, que ficou em um abrigo durante dez anos. “Quando eu completei 15 anos, eu perdi a esperança (de ser adotada). Mas eu acreditava muito em Deus e percebi que Ele tinha algo guardado para mim”, falou.

A nova mãe é a técnica de petróleo Gabriela Martinelli, que se encantou com a adolescente enquanto trabalhava como voluntária num grupo de crianças para adoção. “Com o tempo, conheci a Maria e a apadrinhei. Nesse momento surgiu a vontade de adotá-la”, relembrou.

Ao contar a novidade para as filhas Ana, de 16 anos, e Paola, de quatro, a surpresa não poderia ser melhor. “Fui falar com as minhas filhas sobre a adoção e elas logo disseram: ‘ué, mas ela já não é nossa irmã?’”, conta. A relação entre as três irmãs é de total companheirismo e elas se ajudam em tarefas diárias.

Com a adoção e a estabilidade da família, Maria agora pode pensar no futuro. Ela conta que sempre sonhou em continuar os estudos, está na dúvida em se formar em medicina veterinária ou em fotografia.

O que parecia distante, agora está cada vez mais próximo. “Eu pretendia terminar os meus estudos, mas após o abrigo seria difícil. Agora vai ser mais fácil. Eu gostaria de estudar para ajudar os meus outros três irmãos que não foram adotados”, disse.

Para mãe Gabriela Martinelli, é importante que as pessoas quebrem o preconceito com a adoção tardia. “Não são adolescentes problemáticos, eles são crianças comuns, que precisam de amor, carinho e atenção. O ideal seria as pessoas conviverem com eles, a Maria é uma pessoa maravilhosa, por exemplo”.

De acordo com a psicóloga e integrante da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA/ES), Dianne Wruck, isso acontece por causa da preferência dos pais por crianças mais novas.

“O desejo pelo recém-nascido ainda é permeado pelos mitos de que a criança que cresce em uma família, que não pode prover as condições necessárias para o seu desenvolvimento ou marcadas pela institucionalização, tratá consigo comportamentos de desobediência, dificuldades de vinculação e interação familiar e social, resistências, um sofrimento que não pode ser acolhido e sustentado por uma nova família.”

Gabriela com a nova família — Foto: Arquivo Pessoal

Gabriela com a nova família — Foto: Arquivo Pessoal

Esperando por Você

No Espírito Santo, o projeto “Esperando por você” do Tribunal de Justiça, procura mudar a realidade de crianças mais velhas que esperam por uma adoção. A campanha grava vídeos mostrando habilidades e sonhos desses adolescentes.

Segundo o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), após a divulgação do projeto na internet, 22 das 25 crianças que participaram da campanha receberam propostas de adoção, e três já estão morando com os novos pais em guarda provisória.

Em caso de interesse pela campanha “Esperando por Você”, o adotante deverá encaminhar um email para para ceja@tjes.jus.br com nome completo, CPF, endereço, telefones e o nome da criança ou adolescente pelo qual tem interesse.