Jovem de Ecoporanga participa de missão na África; confira as fotos

Ele faz parte da equipe de Áudio Visual da Cia de Artes Jeová Nissi, um grupo que faz missões através de teatros a 18 anos, hoje com mais de 170 Missionários Voluntários espalhados pelo Brasil

Reportagem: Junior Sapos / agitaeco

O jovem ecoporanguense Régio Rodrigues, que faz parte da equipe de teatro Áudio Visual da Cia de Artes Jeová Nissi, esteve na África em uma linda missão, juntamente com toda equipe. O grupo tem 18 anos, com mais de 170 missionários voluntários espalhados pelo Brasil e outros países.

O jovem Régio em entrevista com o site Agitaeco contou um pouco da história da equipe de teatro, falou do principal objetivo que estiveram no país, contou também sua história vivida em sua missão.

Confira a entrevista com o ecoporanguense Régio Rodrigues da Silva.

No dia 08/10 embarquei para uma viagem que mudou minha vida, fui para o Cuito na Província do Bié, região central da Angola, país que viveu 38 anos de guerra civil, e o Cuito foi a região mais afetada, pois o opositor ao presidente morava naquela cidade. Hoje após 16 anos ao fim da guerra ainda é possível ver marcas desse momento tão doloroso para aquele povo. Hoje eu sei que nossos sonhos só se tornam reais quando Deus já tinha sonhado com isso para nós.

Faço parte da Nissi Filmes, equipe de Áudio Visual da Cia de Artes Jeová Nissi, um grupo que faz missões através de teatros a 18 anos, hoje com mais de 170 Missionários Voluntários espalhados pelo Brasil e alguns outros países, como África, EUA, Espanha, Índia… todos nós largamos nossas famílias, conforto do lar e empregos para vivermos pela fé (não recebemos salário). Deus deu um sonho ao nosso líder Caique Oliveira, de criar a Aldeia Nissi no Cuito, é uma escola onde hoje atendemos mais de 1080 crianças por dia, na escola servimos a essas crianças café da manhã, almoço, café da tarde, a maioria dessas crianças só se alimentam na escola, pois em suas casas não há comida.

Nós da Nissi Filmes fomos dar curso de audiovisual para 70 jovens da escola, esses jovens não tinham perspectiva de vida, pois conseguir trabalho lá é muito difícil, a maior fonte de renda lá é trabalhando na lavra (agricultura) mas devido a grande seca se torna ainda mais difícil, hoje esses jovens têm uma formação nas áreas de Fotografia, Edição, Direção, Direção de Artes, Áudio, Roteiro, Produção. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi o fato de vê-los chorando ao receber o certificado no final do curso, os Angolanos só choram por motivos fúnebres, ou seja, ter um certificado significou muito para eles, pois levamos a eles uma esperança, despertamos o sonho que em muitos já não existiam mais. Andando no bairro ao redor da escola encontrei uma extrema miséria, família com até 11 filhos onde não tem NADA dentro de casa, apenas algumas vasilhas no chão e uma coberta também no chão onde todos dormem. É muito comum se cozinhar do lado de fora das casas, e ficamos sabendo que algumas vezes as mães colocam água nas panelas para que seus filhos (crianças) pensem que terão algo para comer, sendo que não terão. Vi crianças com crises epiléticas e sem condições de receber um tratamento por falta de dinheiro. Vi tanques de guerra abandonados, viúvas da guerra, pessoas mutiladas, enquanto estávamos lá uma criança morreu ao pisar em uma mina terrestre. São muitos sofrimentos, mas em momento algum vi a tristeza estampada no rosto daquele povo, a todo momento que nos viam, eram cordiais, amáveis e me ensinaram muito, mesmo sem falar nada.

Conheci uma menina de aproximadamente uns 10 anos, que tem dias que ela anda mais de duas horas para voltar pra casa após a escola, porém em momento algum ela reclama dessa situação, e sua maior preocupação é em não conseguir ir pra escola, ou se atrasar por algum outro motivo. Sou muito grato a Deus por essa experiência vivida, poder demonstrar e falar do amor de Deus para aquelas pessoas não têm valor que pague. Graças a Deus hoje conseguimos alimentar cerca de 240 famílias que moram ao redor do nosso projeto, ainda falta muito para conseguirmos alimentar todos que necessitam, porém, creio que Deus já tem tudo preparado para que em breve esse sonho se torne realidade.

Se eu queria vir embora? Não, não queria, porém tudo acontece no tempo de Deus, e estou aguardando ansiosos o dia de retornar, poder abraçar as mamas, andar de mãos dadas pelas ruas com aquelas crianças que não querem muito, querem apenas segurar sua mão e seguir o caminho feliz ao seu lado.

Tem muitas outras experiências dessa linda viagem, caso queira saber mais só me chamar no WhatsApp 27997222369.

Que Deus abençoe grandemente sua vida.