Crônicas da velha São Chico 5: São Chico’s Music

Por Jader Pereira

Há 60 anos nascia o primeiro movimento musical sério em São Chico: A Lira de São Francisco. Um projeto ousado para a época, que teve no seu início o dedo empreendedor de Adão Simões.

A lira era o orgulho da comunidade e o projeto mais festejado pelos francisquenses dos anos de 1950. Compunham o grupo Ildebrando Soares, Américo Souza, Laurentino Vieira, Levi Menezes, José Franklin, Gil Durval, José da Cruz, Carlos Pires, Genésio Rodrigues, Vitório Jesus, Adão Simões, Durval Gonçalves, Osmar Apolinário, Manoel Clementino, Sebastião Simões, José Euzébio, Cláudio Barbosa, Cleudo Barbosa, Francisco de Jesus, Francisco Fenicia, Elpídio Necolau, José Bastos, Edilson Rodrigues, Valdir Aguiar e Nilson Delafonte.

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Ainda hoje se ela existisse, seria um marco não só na região, mas em todo interior do estado. Estávamos vivenciando o nascimento de novos padrões musicais, entre eles a invasão do Rock, com a chegada dos Beatles, Elvis Presley, Chubby Checker, etc. O gosto musical da comunidade jovem deu uma guinada de 180 graus.

Chegaram as vitrolinhas. E os discos daquela musica barulhenta que encantava os jovens e assustada os velhos. Os bailes e shows não eram mais compostos por orquestras tocando bolerão e blues, mas o barulhento Rock’and’roll.
Alguns músicos entre eles China do Acordeon, já haviam debutado seus grupos com três ou quatro componentes, que chegaram a tocar em algumas festas. Mas eram agrupamentos de efêmera existência. Os bailes da cidade ainda eram abrilhantados pelos grupos da capital (entre eles Helio Mendes e sua Orquestra), e outros de Colatina ou Cachoeiro.

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Aí, o Jadir Rodrigues, percebendo o vazio local, resolveu criar uma banda ao estilo dos conjuntos de rock muito comuns no período. O estalo veio quando o conjunto Os Indomáveis de Montanha veio tocar em um baile. Se aquela cidade tão pequena tinha sua banda, porque não nós?

Primeiro ele chamou o Abner um jovem carioca que passava longas temporadas por aqui para a bateria, Nilton da Excelsa(anos depois genro do Euclides da Farmácia) no Baixo, Jeremias (trazido de Mantena) na Guitarra Solo e Edinho também de Mantena na guitarra Solo. O nome? Bem ao estilo da época, se chamou Brasa Show. Mas por pouco tempo. Logo depois mudaram para Os Tropicais.

Aí já estavam integrados ao grupo O Luiz Carlos Pereira (excelente cover de Roberto Carlos) e Zé Neto no Piston. As músicas que exigiam vozeirão eram cantadas pelo Jeremias. Um bom tempo cantou também com o grupo o Dalton. E Waltinho do Tito Vieira.

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O grupo fez história. No período aconteceram muitos shows no Cine Atlas e Bailes no Clube das Perobas. Os Tropicais deixaram uma marca bem forte. Em outras áreas incluindo a religiosa, a cidade também conheceu talentos. Como O Quarteto Davs do Daniel que começou ali e ganhou o Brasil inteiro. Ou o coral da Igreja Batista, um espetáculo.

Quem se lembra do Luiz Tim Tim cantando na Igreja Matriz? E os membros da Familia Saar lá no Córrego do Itá com seu quinteto de sopro, que hoje na quinta geração ainda é uma atração maior na Igreja Luterana.

Talentos que iluminaram São Chico. Provando que a cidade há muito tempo é um ninho de águias. Para orgulho de todos nós.

Jader Alves Pereira
Jornalista MT 0344 – DRT –Ba
Nascido em Barra de São Francisco.