Mãe de ouro: Técnica de futsal feminino de Barra de São Francisco vira destaque no estado após título nos jogos escolares

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13566187_1196115167094933_438530734_nA francisquense Renata Vial que está à frente do Projeto Campeões do Futuro, no qual faz parte um time juvenil de futsal feminino da Escola João XXIII que acaba de ser campeão estadual dos Jogos Escolares, foi homenageada em uma matéria publicada no jonal A Gazeta e no Gazeta Online, nesta sexta-feira, 15 de julho.

Participantes dos Jogos Escolares do Espírito Santo, que ocorreu em Guarapari no mês passado, a equipe sagrou-se campeã juvenil no futsal feminino. Além disso, garantiram vaga para a etapa nacional do torneio, que acontece de 10 a 19 de novembro, em João Pessoa, na Paraíba.

A matéria divulgada pelos veículos de comunicação da capital do Espírito Santo destaca a relação de família entre a treinadora e as 17 garotas e a importância desta união nas conquistas da equipe. A reportagem, assinada por André Rodrigues, usa depoimentos emocionados das garotas que consideram Renata como uma verdadeira “Mãezona”.

Desde que se sagraram campeãs estaduais, as garotas vem recebendo diversas homenagens. Na última semana, o time já desfilou na viatura do Corpo de Bombeiros e tomaram café com o Secretário Municipais Aldair Antônio Rhein ( Educação) e Oséias Fregona ( Desenvolvimento Econômico e Habitação). A conquista fez ainda que mais pessoas se interessassem em ajudar de alguma forma o projeto.

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Confira a matéria da A Gazeta na íntegra.

“A Renata, para mim, é como uma mãe porque a minha mãe não é presente na minha vida. Ela faz tudo por mim. Sempre que eu preciso, ela está por perto, ela está comigo”. A declaração é de Gabriela de Mattos Modesto, de 14 anos, atleta de futsal da escola João XXIII, em Barra de São Francisco, no noroeste do Espírito Santo. A Renata em questão é Renata Vial, 30 anos, técnica do time e “mãe” das 17 garotas de 14 a 18 anos de um projeto social que cumpre bem a função de dar uma oportunidade a crianças de famílias mais carentes através do esporte.

Participantes dos Jogos Escolares do Espírito Santo, que ocorreu em Guarapari no mês passado, a equipe sagrou-se campeã juvenil no futsal feminino. Além disso, garantiram vaga para a etapa nacional do torneio, que acontece de 10 a 19 de novembro, em João Pessoa, na Paraíba.

“O projeto começou quando eu dei a ideia de trabalhar também com as meninas, pois já tínhamos um time masculino. Todos os responsáveis gostaram da proposta e fundamos uma equipe de futsal para elas. Elas amam jogar futebol. Começamos com poucas atletas. Hoje são 17”, explicou, orgulhosa, “A Fera”, como é chamada Renata por algumas meninas do time.

Sim. Renata é “A Fera”. Desde 2009, quando deu início ao trabalho, ela exerce a função de técnica voluntariamente. Não recebe nenhum retorno financeiro para comandar a equipe. A maioria das jogadoras são de famílias carentes de várias regiões do país. No grupo atual, quatro são do Pará, duas da Bahia e duas de Minas Gerais. Isso sem contar que tem meninas de Sooretama, Boa Esperança, Linhares e outros municípios do Espírito Santo.

Assim, Renata mantém o time de base com 17 atletas bolsistas integrais. “O Estado é carente de esporte feminino. Quase não tem competições para disputar durante o ano. É muito pouco divulgado e também sofre muito preconceito”, pontuou Renata.

Desde o início da caminhada, os títulos se acumulam nas prateleiras. O juvenil é o atual campeão capixaba. Em 2009, o primeiro lugar na Copa Brasil, em São Paulo. No ano seguinte, veio o título da Taça Brasil, em Santa Catarina. Em 2013, campeão dos Jogos Na Rede. Neste ano, a equipe foi octacampeão regional.

“Nós moramos juntas em uma república. Nosso salário, em vez de dinheiro, é uma escola e o futsal. E isso é muito melhor. Eles incentivam o ensino para a gente, desse jeito, unindo a educação e o esporte”, pontuou Iasmim de Paula Silva, de 17 anos, goleira e capitã do time.

Família do esporte

Gabriela, autora da frase do começo da reportagem, emocionou-se ao falar da professora. Não segurou as lágrimas e nem havia motivos para fazê-lo. Não é exagero falar que todas tiveram a vida mudada pelo projeto. Até a vida da treinadora mudou. Encarou uma depressão profunda, que levou a técnica Renata a submeter-se a um tratamento psicológico extenso.

“Ela é uma guerreira para todas as horas. Uma mãezona mesmo. Se preocupa mais com a gente do que com ela mesmo. Nos ensina a ser pessoas melhores e vencedoras na vida”, explicou Gabriela.

Segundo Renata, ela só ultrapassou as dificuldades por causa das meninas e do futsal. Falar do momento difícil, para ela, não é apenas se emocionar e chorar por tantas lembranças ruins. É ter na memória motivos para se orgulhar e, claro, comemorar por outro triunfo na vida. “Foi outra grande vitória que tive. Depois de Deus, as meninas e o futsal me curaram. Consegui passar por aquele momento complicado com a ajuda delas”, relembrou Renata.

Agradecer é quase impossível, dizem as meninas. Elas ressaltam a união do grupo, que se tornou uma família graças ao esporte. “Fora de quadra a gente faz tudo juntas. Sai, se diverte. Pode ter brigas, até porque toda grande família tem problemas. Mas a gente se ama. Pegamos no pé também para que todo mundo venha amadurecer. Fora que é muito bom conviver com a Renata, ela é muito legal”, concluiu Iasmim.