Crônicas da Velha São Chico 2: O primeiro carrão

Por Jader Alves Pereira

São Chico nos anos de 1966. 67, 68, era uma cidadezinha de poucos carros de passeio. Contava-se nos dedos. Os mais conhecidos eram a Camionete do Ozenil, Jeep do Capitão Tatagiba, Fuscas do Dr. Pedro e do Vicente Amaro E algumas Rural Willys menos votadas. Ainda não aparecera a cultura do carro de passeio. Comprava-se o veículo para atender a labuta.

Ruas de chão batido, esburacadas, estradas horríveis e picadas para as fazendas não convidavam a maiores investimentos. O Wilsinho filho do Tito da Pensão casou, comprou um Fusca vermelho para passar a lua de mel em Vitória e na viagem, ainda em Colatina, o carro foi roubado e até hoje não apareceu.

Começaram a aparecer outros fuscas. Alguém ali pelos lados do Campo Velho comprou um Simca Chambord. E Hugo Vargas debutou uns tempos com um Aero Willys vermelho. Por pouco tempo. Não podemos esquecer o DKW Vemag do Horácio Maia.

SiteBarra+Barra+de+Sao+Francisco+1374712_10200244415466954_2048712464_n0Aí chegou a grande novidade. O Dr. Pedro Tallis comprou um Galaxie. A Ford do Brasil não lançara ainda nenhum carro de luxo, quando resolveu trazer ao país o Galaxie. E o Dr. Pedro não ligou para a situação das estradas e comprou o carrão.

A cidade parou para ver aquela coisa linda. O carro trafegava tão macio que parecia cavalo de raça. Suspensão importada, americana, assim como os primeiros motores. Motor V8, com 8 cilindros, que fazia, 3 ou 4 quilômetros por litro. Mas a gasolina ainda era barata e farta.

A comunidade babava toda ao ver passar aquele bólide, imenso, poderoso. A primeira vez que o carro parou antes de um jogo do Santos no Campo Novo, fez mais sucesso que a partida de futebol. Todo mundo saiu para ver.

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Um dos problemas para o Dr. Pedro foi a garagem. O local escolhido, um dos porões de clínica, era tão pequeno que mal cabia o automóvel. Outro foi como usar o carrão. Não tinha para onde ir. A não ser algumas viagens para Colatina e Vitória.

O tempo passou e o veículo ficou escondido lá na garagem, até que se lembraram dele e foi vendido. Para onde foi? Deixou sua marca.