Três vereadores podem decidir o futuro do prefeito de Barra de São Francisco

A câmara de Barra de São Francisco conta hoje com 13 vereadores. Desses, três estarão em evidência nesta segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016, quando o presidente da Casa, Juvenal Calixto Filho(PPS), deve ler a denúncia encaminhada pelo Ministério Público Estadual contra o prefeito Luciano Pereira (DEM).

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Para quem acompanha um pouco a política local e sabe um pouquinho de matemática, fica fácil entender que a situação é favorável para o prefeito Luciano, já que tem a maioria dos vereadores do seu lado.

O prefeito Luciano tem hoje do seu lado: Admilson Brum (PP), Carlim da dengue(PROS), Mulinha(PTB), Tiãozinho da Colina (PTB), Camatinha (PSB) e Jessuí da Cesan(PSD).

Por outro lado, alguns vereadores são, declaradamente, oposição. São eles: Valézio Armani (PSD), José Valdeci(PT), Lula Coser (PPS) e Juvenal Calixto Filho (PPS). Em caso de votação, o presidente da câmara, Juvenal, só votaria em caso de empate, mas já é sabido que ele defende a investigação do Ministério Público.

Nesse caso, Luciano está com uma vitória de 6 x 4, totalizando dez votos. Sobram então os três decisivos, que podem proteger de vez Luciano ou virar o jogo a favor da oposição. São eles: Aloysio Alves (PDT), Antônio Morais (PSOL) e Paulinho do Hospital (PV). Os três já estiveram do lado do prefeito, mas têm demonstrado que podem votar contra ele se for para favorecer a população.

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Essa pequena diferença pode fazer a diferença. Os outros, não votam contra o prefeito, mesmo sabendo que ele esteja errado. Já esses três, podem mudar o voto, se entenderem que a investigação do Ministério Público é séria.

Interesse próprio

O próprio presidente da Câmara, Juvenal Calixto Filho, estaria disposto a votar pela cassação do prefeito e do vice, já que ele seria diretamente beneficiado, pois assumiria a prefeitura imediatamente. E como não há tempo hábil para nova eleição, Juvenal seria o prefeito até o final do ano.

Asas largas do Prefeito

Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Esse é um lema antigo, mas que parece ser muito atual na política francisquense, onde caciques políticos impõem seu jeito de administrar e os aliados os obedecem cegamente. No caso do prefeito municipal, o poder fala mais alto e engrandece suas asas, pois é muita gente pra colocar debaixo. Hoje, a maioria dos vereadores – que foram eleitos para fiscalizar – estão debaixo dessas asas largas do prefeito Luciano Pereira. Protegem e são protegidos, digo, privilegiados.

Vereadores x Partido

Três vereadores se destacam por ir contra o que quer seus respectivos partidos. Admilson Brum, que foi candidato pelo PP, Partido Progressista, era suplente e assumiu a vaga de Emerson Lima, do mesmo partido. O Partido quer o afastamento do prefeito, por entender que o trabalho feito pelo Ministério Público é sério. Já Admilson, como todos sabem, é aliado de Luciano e, é praticamente impossível, de votar contra o patrão.

Jessui da Cesan é outro. Ele foi eleito na oposição, pelo PSD, mas hoje, vive seu mandato na sombra do prefeito. Por algum tempo, Jessui fez ‘jogo duplo’, conciliando seus interesses com os dois lados, em uma época que o vereador ficou conhecido como ‘boné de dois bicos’. Hoje ele é Pereira assumido e faz de tudo para manter os agrados de Luciano.

Emerson Rodrigues, o Camatinha, foi eleito pelo PSB, partido que Luciano abandonou e foi cassado por infidelidade partidária quando era deputado estadual. Partido também do ex-governador Renato Casagrande e que hoje é a favor da investigação do Ministério Público. Mas Camatinha não tá preocupado com isso, pois a amizade com o prefeito fala mais alto.

Porque vereadores apoiam prefeito?

Existem casos em que os políticos são antigos amigos. Tem também casos em que foram eleitos no mesmo palanque e tem aqueles que se ‘apaixonam’ logo depois do resultado nas urnas. São diversos os motivos que levam alguns vereadores e prefeito a ‘comerem no mesmo cocho’.

Luciano dorme tranquilo

Luciano tem também em mãos informações sobre o suposto “esquema de diárias” na câmara, o que pode servir de trunfo para negociar sua permanência na administração.

Como alguns vereadores também estão diretamente envolvidos nas falcatruas denunciadas pelo MPES, os vereadores independentes acreditam que só a Justiça conseguirá condenar e cassar o mandato do prefeito e de seu vice. Mas isso pode levar bastante tempo. Tempo suficiente para Luciano ser reeleito.

Alguns vereadores aparecem no inquérito do MPES, sendo apontados pelos produtores rurais, como as pessoas que “intermediaram” o serviço para eles junto ao prefeito e ao empresário Moisés. Esses vereadores não votam contra o prefeito.

Manifestação da população

Segundo informações, um grupo de manifestantes está se mobilizando para ir até à Câmara nesta segunda-feira. O movimento, denominado “anti corrupção” deve ocupara a casa de leis na busca de justiça.

População desacreditada

Grande parte da população acredita que tudo ‘acabará em pizza’. Poucas pessoas acreditam que a atual câmara terá coragem para ir contra o prefeito municipal. É grande a insatisfação, mas é grande também a desconfiança com relação aos vereadores.

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