Comércio de Colatina está proibido de comercializar água com preços abusivos

1___gua_001-2857163Para evitar abusos na cobrança do preço dos galões de água, a promotoria de Justiça de Colatina emitiu notificação para que os comerciantes da cidade “deixem de elevar sem justa causa os preços da água engarrafada”, segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Há relatos de galões de água vendidos a R$ 30.

A notificação é direcionada à Prefeitura de Colatina, à Câmara de Dirigentes Lojistas, ao Sindicato dos Lojistas do Comércio da cidade e à Polícia Civil.

Se os preços subirem além do razoável poderão ser acusados de práticas abusivas, conforme descrito no Código de Defesa do Consumidor. A notificação cita os trechos do código em que tipifica uma das práticas abusivas o ato de “exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva” e “elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços”.

Poderão ser acusados ainda de crime contra as relações de consumo, se “sonegar insumos ou bens, recusando-se a vendê-los a quem pretenda comprá-los nas condições publicamente ofertadas, ou retê-los para o fim de especulação”.

O clima em Colatina é de incerteza, muito por causa das previsões sempre incorretas para a chegada da lama pelo Rio Doce. A nova data prevista é 17 de novembro.

“Queremos uma resposta, as pessoas estão em pânico. Estamos estocando água, mas como sempre muda a data, acaba desperdiçando”, relata Pollyanna Pretti, 40, moradora de Colatina. Ela não teve dificuldade para conseguir água mas conta que já ouviu de colegas problemas para comprar a preço razoável.

A reportagem tentou contato com o prefeito Leonardo Deptulski, mas por estar em reunião, não houve retorno.

“Governador Valadares cheira a peixe morto. O Rio Doce está morto”

“O cheiro na cidade inteira é de peixe morto. O Rio Doce está morto.” Assim uma moradora de Governador Valadares, em Minas Gerais, resume o estado de emergência em que está a cidade após a crise de abastecimento de água por causa da queda das barragens em Mariana, também em Minas.

“Ninguém sabe como será a distribuição de água na cidade. Quem tem criança fica preocupado. A gente tem medo de pedir comida de fora porque não sabe como ela está sendo feita”, relata Samantha Batista de Souza, 36 anos, moradora que citou a frase do início deste texto. “A vontade que a gente tem é de ir embora daqui”, lamenta.

Ela relata que dois caminhões com água foram saqueados esta semana. Foram casos isolados mas que representam o medo geral da população.

Escolas e órgãos públicos já mudaram sua rotina e interromperam algumas atividades. “Diminuíram a carga horária da escola do meu filho. A escola não tem como dar água para eles beberem”, diz Samantha.

A dona de casa Rita Pereira dos Santos, 66 anos, conta a dificuldade para comprar água. “Os telefones do depósito de água estão desligados porque não tem água. A água não está chegando. A cidade está um caos sobre isso”, diz Rita.

Ela conta que o preço do galão de água custa até. R$ 20. “Quem tem dinheiro compra bastante água, mas quem não tem…”, afirma Rita.

Suspensão

A Polícia Federal informou que a delegacia na cidade só funcionará em regime de plantão. Já o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), o Sesc, a Faculdade Pitágoras e a Faculdade Presidente Antônio Carlos interromperam as aulas por tempo indeterminado. A Câmara de Vereadores vai funcionar em horário especial.