Menino argentino tem pai gay e mãe lésbica

Querendo ser pai e sem ter a perspectiva de gerar um filho com uma mulher, o psicólogo Javier contou ao jornal ‘El Clarín’ que tomou uma decisão inusitada: a coparentalidade.

Javier se tornou pai após conhecer a mãe de seu bebê por meio de um anúncio em uma revista. Ele já havia decidido que queria ter um filho com uma mulher, e anunciou este fato na revista ‘Family Alternative’. Chegou a se encontrar com várias mulheres, mas percebeu que muitas buscavam basicamente um doador de sêmen para que elas mesmas pudessem realizar o sonho de serem mães também. Ele não queria isso – queria participar efetivamente da vida de seu filho.

Mas uma das mulheres que Javier conheceu era diferente: Ale. Os dois ficaram amigos e conversavam já há dois anos quando decidiram que teriam um filho juntos. Tanto Javier quanto Ale estavam em relacionamentos sérios – ele com um homem e ela com uma mulher. E ambos concordaram que não deveriam envolver os parceiros neste “negócio”: o filho seria registrado apenas por eles.

Javier e Ale cogitaram a ideia de fazer inseminação artificial e até foram a um ginecologista, mas acabaram decidindo tentar a gravidez com o método tradicional. Logo no segundo mês em que tentaram, ela ficou grávida. Os dois iam às consultas juntos, e a obstetra aceitou bem a situação diferente da dupla.

Quando o bebê finalmente nasceu – um menino, chamado Facu – Javier ia vê-lo todos os dias, o que causou um atrito com a mulher de Ale. Mas os três resolveram amigavelmente o problema e foram se adaptando. Com três semanas de vida, o bebê passou a ficar também na casa de Javier. Hoje, aos 8 anos, ele passa metade do tempo com cada um dos pais.

Tanto Ale quanto Javier se separaram dos parceiros que tinham na época do nascimento de Facu, mas ambos ex são os padrinhos do menino, já que acompanharam todo o processo. Hoje os pais já estão Facu se dá bem tanto com os padrinhos como os companheiros atuais de seus pais.

Hoje com 9 anos, Facu é instruído a falar apenas o que se sentir confortável sobre sua vida. Javier acredita que Facu já está entrando na idade de entender o que é melhor para sua vida e tem que fazer seu caminho independentemente da posição dos pais na sociedade.

Ainda assim, o preconceito não parece afetar a rotina do garoto. Os outros pais de crianças do mesmo colégio de Facu sabem quem são Javier e Ale e não veem problemas em ter seus filhos brincando juntos e frequentando os mesmos espaços.

Javier hoje tem certeza de que a coparentalidade foi a decisão ideal. Ele e Ale conseguem desempenhar seus papéis como qualquer família normal, e oferecem ao filho que tiveram juntos o amor e o carinho que toda criança merece.