Situação de rio que banha Barra de São Francisco e Água Doce do Norte é crítica, afirma Incaper

A seca no Norte do Espírito Santo não está afetando apenas o Rio Doce, cuja foz recentemente secou no litoral de Regência, em Linhares. A situação do Rio Cricaré , segundo mais extenso do Estado, também é preocupante.

Na região da divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, onde o rio nasce, é possível encontrar áreas de degradação, margens assoreadas e uma lâmina d’água tão rasa que dá para ver a areia no fundo. Segundo o técnico em Desenvolvimento Rural do Incaper, Leandro Canal, estamos vivendo nesses últimos dois anos uma ‘seca alarmante’.

“Vemos nascentes secando, produtores perdendo lavouras e outros com questões na Justiça por causa da falta de água. Na região onde o rio entra no Estado, as margens estão todas desprotegidas, assoreadas. São animais andando pelas margens e areais sendo amontoados para construção civil, sem nenhum licenciamento. E pior: a água está sumindo, pois não tem a mata ciliar nas APPs”, relatou.

1_cavalo2-3894845Por causa do assoreamento, o cavalo consegue atravessar o Rio Cricaré tranquilamente

Entre os municípios de Barra de São Francisco e Água Doce do Norte, há trechos em que a vegetação na margem do rio foi queimada ou deu lugar a uma plantação. Em outro ponto, a curva do rio deixa bancos de areia expostos.

“Aqui deveria ter em média 20 a 30 metros de árvores nativas para poder impedir que a água que vem da chuva penetre diretamente na calha do rio. Num morro atrás, tem uma pastagem que tem um declive de mais ou menos 45 graus, que também é considerado uma área de APP e está desprotegida. Ela está com erosão, solo descoberto e aquela mesma terra que sai da área de APP, daquele morro, também entra no rio, causando assoreamento e entupindo o rio”.

1_estrada2-3894923A mata ciliar que deveria proteger o Cricaré foi substituída por estradas e a máquina que veio dar manutenção na via fez essas canaletas até a margem do rio

Em trechos onde tinha água, agora é possível ver pegadas de animais. A mata ciliar que deveria proteger o Cricaré foi substituída por estradas e a máquina que veio dar manutenção na via fez canaletas até a margem do rio.

“Foi uma máquina provavelmente de uma prefeitura, que passou e tirou a água do rio, que poderia estar indo para uma caixa seca, mas está vindo diretamente para dentro do rio, trazendo mais areia. A areia da estrada que foi tirada pela máquina está vindo toda para cá”, afirmou Leandro.

1_urubus2-3894830Um buraco aberto na margem do Rio Cricaré atraiu urubus por causa dos restos de animais despejados no local

Rumo à divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, a vegetação nativa deu lugar à pastagem. Até uma estrada foi aberta em meio à rala vegetação para que o gado tivesse acesso à água.

Para o técnico do Incaper, a conscientização não está sendo feita. “A nível de educação ambiental, não está tendo essa conscientização. E há que fazer de emergência a intervenção que a gente fala: impedir que continuem fazendo essa degradação. O governo junto com as entidades governamentais devem tentar ajudar, subsidiar para o isolamento dessas áreas de APP para facilitar a recomposição delas”, finalizou.

Com informações de Serli Santos, da TV Gazeta Norte