Seu Manoel, os relatos de um benzedor em Nova Venécia

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom 78 anos de idade, o senhor Manoel Gomes de Oliveira, que também é cego e mora sozinho, ainda mantém a tradição de benzer as pessoas que o procuram em busca de cura para males diversos. Seu primeiro ato foi aos 18 anos de idade: “sou um enviado por Deus”.

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Ele já benzeu mais de 2 mil pessoas

Com frases repetidas mentalmente e muita energia positiva, em Nova Venécia, mais especificamente no bairro Rúbia, se encontra o senhor Manoel Gomes de Oliveira. Seu Manoel, como é chamado por todos, atrai pessoas diariamente que vão à sua humilde casa em busca de garantir a cura para vários males que variam entre espinhela caída, quebranto, fogo selvagem, mau-olhado, enxaqueca, entre outros incômodos do corpo e da alma. Muita gente confunde o trabalho dos benzedores com espiritismo e feitiçaria. Mas na verdade é uma troca de energia muito forte, feita apenas à base de orações.

Atualmente cego dos dois olhos por causa de uma doença rara, seu Manoel, que atualmente está com 78 anos e mora sozinho, diz que ainda existe muito preconceito, mas não se incomoda. “As pessoas entram por esta porta chorando e saem daqui rindo. Já curei mais de duas mil pessoas e nunca cobrei nada por isto. Na verdade, quem cura é Deus, eu apenas peço. O senhor me deu essa sina e eu vou fazer isso enquanto vivo eu estiver”, relata o benzedor, que utiliza apenas as mãos para fazer as orações diante das pessoas que o procuram.

Seu primeiro ato como benzedor foi aos 18 anos de idade quando, segundo ele, uma voz lhe pediu para que curasse uma menina que estava há oito dias com uma forte dor de cabeça. “Naquele dia eu rezei um Pai Nosso, uma Ave Maria e para Nossa Senhora. Depois da oração a menina pulou da cama e não se queixou mais de dor de cabeça. Naquele dia vi que era um enviado de Deus”.

Segundo seu Manoel, sua mãe e seus avós foram benzedeiros, mas ninguém jamais o ensinou os procedimentos. “Eu aprendi tudo sozinho. Gosto de fazer o bem para as pessoas. Uma vez encontrei uma mulher que estava com reumatismo forte nos braços que não conseguia nem mexer. Na segunda garrafada que preparei, ela foi curada. Agora não faço mais esse procedimento porque não enxergo mais. Apenas estou trabalhando com orações”, finaliza seu Manoel.

Fonte: Jornal Extra