Testemunha confirma ao delegado denúncia contra vereador Mulinha e envolve funcionária do Ministério Público em acusação

SiteBarra_Barra_de_Sao_Francisco_mulinha10O delegado Juliano Batista, de Barra de São Francisco, colheu na tarde de quinta-feira, 09 de maio de 2013, o depoimento de Célia Nogueira Gomes Raimundo, que acusa o atual vereador Wilson Pinto das Mercês, o Mulinha, de ter comprado seu voto se valendo do poder político do então deputado Luciano Pereira (DEM).

Na ocasião, foi dado a ela um emprego no Hospital Dra. Rita de Cássia, onde trabalhou até depois das eleições, quando foi demitida sem nenhum motivo.

Em seu depoimento ao delegado, Célia Nogueira confirmou tudo. Ela disse que procurou o Ministério Público a mando dos atuais vereadores Paulinho do Hospital e Emerson Lima.

Segundo ela, ao chegar no MP para fazer a denúncia, foi recebida por uma funcionária, que é prima da primeira-dama do município. Essa funcionária, ao invés de encaminhá-la ao promotor de justiça, lhe disse para não fazer a denúncia com o bilhete emitido por Mulinha em nome do deputado Luciano Pereira.

Prosseguindo, ela disse que a referida funcionária prometeu lhe arrumar um emprego caso não fizesse a denúncia e imediatamente ligou para um tal de Rafael Bochecha exigindo que ele desse um jeito. Então conseguiram para ela uma vaga no Hospital Dra. Rita de Cássia.

Célia contou ao delegado que trabalhou no hospital de julho a outubro de 2012, quando, dois dias depois das eleições, foi demitida sem nenhum motivo. Ela disse ainda que durante o período que trabalhou no hospital, sofreu inúmeras humilhações, além de ter sido muito maltratada.

Ao ser perguntada pelo delegado se conhecia mais funcionários que passaram por essa situação, ela respondeu que sim, mas disse que preferia não divulgar os nomes, pois não sabia se eles teriam coragem de denunciar.

Quanto ao bilhete, Célia Nogueira disse que está em um local seguro por medida de segurança e que vai apresentá-lo no momento oportuno, quando as autoridades o exigir.

Várias outras pessoas foram ouvidas pelo delegado.

O que causou estranheza no depoimento de Célia Nogueira foi o fato de um órgão como o Ministério Público, que dentre suas atribuições, uma é colher denúncias e apurá-las, manter uma funcionária que fica filtrando as denúncias.

Após o depoimento de Célia Nogueira, levantou-se a suspeita de que a funcionária pode ter sido colocada no órgão para obter informações privilegiadas para serem usadas como forma de troca de favores.

O Ministério Público, que até o momento desconhecia o procedimento, deve tomar medidas no sentido de apurar a veracidade da denúncia e tomar as providências, para manter a moral e a ética adquiridas há anos pelo órgão.

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