Ex-vaqueiro da família Pereira é sequestrado em Barra de São Francisco, ameaçado e levado para Ecoporanga, mas consegue fugir

SiteBarra_Barra_de_Sao_Francisco_vaqueiro-do-luciano0O ex-vaqueiro da família Pereira, Adilson Raimundo de Oliveira, foi vítima de sequestro na manhã desta quarta-feira, 03 de abril de 2013, por volta das 04 horas da manhã, quando estava iniciando os trabalhos de ordenha em uma propriedade na localidade de Três Vendas, em Barra de São Francisco.

Adilson conta que já estava pegando os tambores para iniciar a ordenha das vacas, quando alguém o segurou por trás, tapou-lhe os olhos e o arrastou para o seu próprio carro, um Gol, ano 93, de cor bege. “Eu tentei resistir, mas recebi um murro no estômago e fui levado para o meu veículo, onde um indivíduo armado com um revólver, usando capote preto, luvas pretas e uma touca ninja, me fez entrar”, disse Adilson.

Em seguida o indivíduo saiu dirigindo seu veículo até o contorno, onde ele fez a conversão e seguiu em direção à Ecoporanga, depois de obrigá-lo a deitar de bruços no banco traseiro. Durante todo momento o motorista estava com a arma nas mãos e seguido de perto por um motoqueiro, também de capote e capacete preto.

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Adilson conta que foi levado até o interior de Ecoporanga e durante o percurso o indivíduo sempre dizia que ele tinha língua grande e que o prazo de três dias, para tirar os processos que tinha entrado contra a família Pereira, tinha acabado. “Fiquei desesperado e pedi para voltar, mas o indivíduo não me ouvia e mandava calar a boca”, conta a vítima.

Prosseguindo, Adilson salientou que ao chegar num local deserto no interior de Ecoporanga, próximo a uma ribanceira, o motoqueiro, que estava um pouco à frente, ficou em uma estrada lateral e o indivíduo que estava dirigindo passou para o banco de carona e o colocou no local do motorista, depois de acertá-lo novamente no estômago com um murro.

“Naquele momento senti que minha vida tinha chegado ao fim e pedi a Deus que me protegesse. Senti que eles queriam me empurrar ladeira abaixo com o carro para parecer um acidente e isso teria acontecido, se não Deus não tivesse atendido minhas preces e enviado um conhecido, que fez com que os dois evadissem do local e me deixasse ali”, conta emocionado o vaqueiro.

Segundo ele, quando os indivíduos avistaram o veículo do Paulinho eletricista, que passava pelo local, disseram: “sujou, sujou. Não faça nenhuma besteira, sujou”. Em seguida, deixaram o local e o vaqueiro aproveitou para conduzir seu veículo até a sede de Ecoporanga, onde pediu socorro à polícia e contou sua história.

Os policiais mantiveram contato com o patrão de Adilson e este se dirigiu até Ecoporanga e o trouxe de volta a Barra de São Francisco. À tarde, Adilson foi ao DPJ local, onde foi ouvido pelo delegado do plantão, que instaurou o inquérito e deve enviá-lo para o Tribunal de Justiça. Na oportunidade Adilson disse que queria representar contra Edinho Pereira, Solange Sordine Pereira e contra o prefeito de Barra de São Francisco,  Luciano Pereira (DEM), além de pedir proteção ao delegado, pois teme pela sua vida e de sua família, pois as ameaças que recebe por telefone são constantes.

No dia 05 de março Adilson tinha registrado um BO, depois de ser abordado por dois motoqueiros em uma moto vermelha. Na ocasião ele disse que os referidos motoqueiros o perguntaram se ele era o ex-vaqueiro da família Pereira e quando ele disse que sim, disseram a ele que tinha três dias para retirar o processo da Justiça Trabalhista, senão, eles voltariam e cortariam sua língua. Naquela oportunidade, ao contrário desta quarta-feira, ele disse que não queria representar.

Depois desse dia, passei a receber telefonemas de números restringidos sempre dizendo que o prazo estava acabando e que eu tinha que tirar o processo que estava movendo contra o prefeito”, conta Adilson.

Ao ser perguntado pelo delegado por que desconfiava que a família Pereira era a mandante, Adilson contou que ao ser despedido por Solange Sordine, foi até o contador e fez os cálculos de seus direitos, que seriam R$ 17 mil. Em vista disso, ele conta que recebeu a visita do próprio Luciano, que propôs um acordo de pagá-lo R$ 7 mil, em parcelas iguais de R$ 500 todo mês.

Ele aceitou a proposta, pois não tinha intenção de perder a amizade da família. “Só que o Luciano não cumpriu com o trato e não pagou. Quando falei com ele que se não pagasse procuraria a justiça do trabalho, ele me disse que não tinha nada a perder e que eu é quem sabia se ia realmente fazer isso”, relatou Adilson.

Ao finalizar seu depoimento ao delegado, o ex-vaqueiro da família Pereira disse que depois do dia 5, quando foi abordado pela primeira vez pelos motoqueiros que queriam que ele desistisse do processo, sua vida tornou um verdadeiro inferno, com constantes telefonemas de ameaças. “Não sei mais o que fazer e temo por minha vida e de minha família. Senti hoje que eles iam me matar”, finalizou.