Padrasto é suspeito de matar uma enteada e sequestrar outra em Viana

1_dsc_4730-860735Uma menina de 13 anos foi assassinada e a irmã dela, de 15, sequestrada, na madrugada deste domingo, em Viana. O principal suspeito é o ex-padrasto das meninas, o lavrador Edson Rossi, 37 anos, que há meses vinha ameaçando matar a ex-mulher e a família dela.

A adolescente levada pelo criminoso foi libertada em meio a um matagal. O namorado dela, um rapaz de 20 anos, que estava na casa quando o lavrador chegou, também foi baleado e está em estado grave no hospital.

Maria Adelaide dos Santos Calmon, 13 anos, morreu com um tiro nas costas e outro no pescoço.

“Ele atirou primeiro na minha irmã, na sala. Quando me levava à força para fora de casa, ele deu um chute nela e atirou mais uma vez, no pescoço”, descreveu a irmã de Maria Adelaide, uma estudante de 15 anos, ainda em estado de choque.

Moradores da rua onde a família mora e o casal de amigos que estava na casa no momento do crime viram Edson fugir mantendo a enteada refém.

De acordo com vizinhos, Edson fugiu do local levando a enteada na garupa da moto que estava escondida em um matagal. Durante todo o domingo, investigadores da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) fizeram buscas pelo suspeito, mas até o momento ele não foi encontrado.

Motivação
A motivação para os crimes, segundo a mãe das meninas, a diarista Roseane dos Santos, 31, seria a separação do casal, há cerca de seis meses.

Edson não aceitava o fim do relacionamento. O casamento terminou depois que a mulher descobriu que o lavrador tinha tentado estuprar a menina de 13 anos, que foi morta. Devido as ameaças, Roseane se mudou para outra casa há apenas três dias, porque temia pela vida dela e dos filhos.

Entrevista
Ainda chocada com tudo que viveu, a adolescente de 15 anos contou como o ex-padrasto a tratou durante o cativeiro. Mas a imagem mais marcante foi o assassinato da irmã: “Minha irmã já estava no chão, baleada. Ele a chutou e deu mais um tiro, no pescoço”, lembrou a jovem, ainda transtornada.

REDAÇÃO MULTIMÍDIA: Como foi que ele invadiu a casa?
Adolescente: Estávamos comemorando o aniversário de uma amiga minha com um churrasco pequeno no quintal de casa, depois entramos. Estava essa amiga, o namorado dela, minha irmã, eu e meu namorado. Minha mãe e minha tia tinham saído até a casa de uma vizinha. Eu estava no quarto quando ouvi um barulho, parecia uma televisão caindo. Meu namorado foi até a sala para ver o que acontecia, e foi baleado na perna.

Você viu o Edson atirando na sua irmã?
Ele já havia atirado na minha irmã e eu não sabia. Quando viu meu namorado, ele acreditando que fosse meu irmão mais velho, que completa 17 anos hoje. Os dois não se davam bem. Eu fui até a porta do quarto e o vi.

Como você foi feita refém?
Voltei para o quarto e fechei a porta. Meu ex-padrasto empurrou a porta para entrar e eu empurrei para impedi-lo. Ele foi até a janela, quebrou o vidro e apontou a arma para dentro, mas estava escuro e ele não viu onde eu estava. Foi quando gritou para eu sair se não me mataria.

O Edson atirou de novo na sua irmã?
Ele conseguiu entrar no quarto e me agarrou pelo braço. Foi me puxando para fora e disse para eu colaborar. Quando passamos pela sala, vi minha irmã caída no chão, baleada. Ele deu um chute nela e atirou de novo, no pescoço, um tiro de misericórdia.

Como foi a fuga?
Ele me levou até a moto dele, que estava no meio do mato, escondida. Não sei para onde íamos, estava muito escuro. A moto quebrou e passamos a caminhar pela estrada. Depois, entramos em uma mata e andamos um pouco, até um local onde ele parou para dormir, sempre carregando a arma.

Você foi mantida amarrada?
Ele queria amarrar minhas mãos, mas eu pedi que não fizesse isso. Falei que não ia fugir. Não consegui dormir, chorei até o dia clarear. Ele falava que gostava muito de mim, por isso não faria nada comigo. Disse que havia me levado para depois me trocar pela minha mãe. Só me libertaria quando minha mãe o encontrasse.

Como foi libertada?
Ele colocou a arma na minha mão e pediu para eu atirar na cabeça dele. Depois que conversei muito com ele, disse que eu podia ir embora e seguiu caminho contrário ao meu. Um amigo meu me encontrou e me levou para casa.

Fonte: A Gazeta