Especial: Universitários de Barra de São Francisco temem ter que trancar matrícula por falta de apoio em transporte

De volta as aulas nas faculdades privadas da Região Noroeste e Leste de Minas desde fevereiro, os alunos universitários de Barra de São Francisco que estudam nas instituições de ensino superior de Colatina, Nova Venécia e na cidade mineira de Governador Valadares voltaram a utilizar os ônibus do transporte universitário contratados no ano de 2012 pelas antigas associações de alunos em parceria com a prefeitura do município.

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Até o ano passado, mesmo não sendo uma obrigação da administração municipal por não estar assegurada na Lei Orgânica do Município, a prefeitura contribuía com parte do pagamento do transporte dos alunos universitários do município como forma de incentivo educacional a cultura, uma vez que a cidade possuí pouquíssimas faculdades para formação de seus alunos no ensino superior.

Cada cidade destas que recebe alunos de Barra de São Francisco, tinha entre eles uma associação com um representante responsável pelo recebimento dos pagamentos dos universitários que eram repassados as empresas de ônibus que os conduziam até as universidades e a prefeitura ficava responsável pelo pagamento da parte estabelecida em acordo com as associações do restante que correspondia a quase metade do total do valor por aluno.

Porém, após a troca do governo municipal para esta nova gestão que iniciou este ano, a prefeitura não pôde mais contribuir com a parte dela no pagamento do transporte universitário dos alunos, sobre alegação de estar com os cofres municipais sem recursos sobrando, enquanto se organiza financeiramente para colocar em dia os salários atrasados dos servidores municipais que ficaram sem receber partes dos pagamentos do final do ano passado. Por isso, entre outros motivos relacionados ao orçamento municipal, segundo os alunos, o poder executivo francisquense só poderá voltar a contribuir com a sua parte no pagamento do transporte universitário possivelmente a partir de julho.

Como os alunos não podem perder aulas, uma vez que muitos são bolsistas e todos correriam risco de ficarem reprovados depois de tanto esforço dedicados todos os dias desde o início dos cursos para conclusão e formação profissional nestas faculdades, resolveram entre eles continuar utilizando o serviço de condução das empresas de ônibus que já os conduziam na época em que a prefeitura podia colaborar com parte do pagamento. Entretanto, este valor, agora integral, ficou elevado para alguns alunos e suas famílias, que não querem que os alunos desistam de seus cursos.

Em um dos ônibus que transporta alunos para as faculdades UNESC e SENAI em Colatina o valor mensal a ser pago pelo transporte chegou a ser efetuado em R$ 125,00 em fevereiro, R$ 290,00 este mês e em abril está firmado o valor de R$ 305,00 por aluno. O valor atual passou a ser tão alto que alunos que não estão trabalhando e os pais não tem condições de estar custeando o novo pagamento integral afirmaram que estão pensando em se mudar para as cidades onde estão estudando para não ter que deixar o curso ou ter que trancar a matrícula, porque segundo alguns alunos durante entrevista, as empresas de transporte já afirmaram que não dispõem de condições para realizar o transporte sem receber os pagamentos, por possuírem gastos com motorista, combustíveis e manutenção dos veículos.

Neste impasse e sob suspeita de corrupção na arrecadação dos pagamentos do transporte dentro das associações dos alunos no final do ano passado, em meio a algumas dificuldades da gestão do governo municipal anterior em relação ao pagamento da parte da prefeitura que gerou algumas manifestações de alunos na Câmara Municipal, que andavam em dia com o pagamento da parte deles, mas as empresas paralisaram o serviço por não receber a parte da prefeitura, dentre outros indícios apontados pelos alunos comprovando a suspeita de corrupção dentro das associações, este ano eles decidiram por maioria extinguir as associações de alunos por cidades e cada ônibus passou a ter o seu próprio líder para recolher os pagamentos do transporte e para representa-los em assuntos a serem resolvidos com as empresas dos ônibus.

Apesar da necessidade e da maioria dos alunos estarem contando com a volta da possível parceria da prefeitura na contribuição de parte do pagamento previsto por ela para o início do segundo semestre de 2013, um dos grupos de alunos de um dos ônibus afirmaram que mesmo que a prefeitura volte a contribuir com a parte dela, acordaram com o proprietário do ônibus que os transportam, em continuar pagando integralmente o valor mensal do transporte por não terem entendido irregularidades no repasse da parte da prefeitura e das associações durante o ano passado.

O número de alunos que utilizam o transporte universitário para faculdades destas três cidades aumentou este ano devido ao bom desempenho dos alunos do municípios nos vestibulares do ano passado. Com uma média de pouco mais de 450 alunos matriculados em instituições privadas de ensino superior custeados por meios próprios e de bolsas de programas dos governos federais e estaduais, além de bolsas das próprias universidades, este ano 6 ônibus e 1 van estão conduzindo universitários de Barra de São Francisco para a cidade de Nova Venécia e apenas 1 veículo está sendo utilizado pela empresa contratada pelos alunos para transporta-los para as instituições de ensino de Colatina. A tendência para os próximos anos é que este número de alunos e veículos aumente, diante dos bons resultados dos vestibulandos e da duração de seus cursos nas faculdades particulares destas cidades. O que reafirma a necessidade da ajuda em parte do pagamento do transporte que a prefeitura realizava até o ano passado, como forma de incentivo de continuação da formação educacional e cultural dos jovens do município.

Sem querer interromper a tão sonhada faculdade que os formarão profissionais diplomados e tornar em vão tanta dedicação para serem aprovados nos vestibulares e provas seletivas para bolsistas em que foram submetidos, a maioria dos alunos ouvidos afirmaram que entendem que a prefeitura não tem condições financeiras no momento para ajudá-los no custeio mensal do pagamentos do transporte de cada um até suas faculdades, mas solicitaram que se possível a prefeitura pudesse pelo menos buscar alguma parceria com o governo do estado ou outro para custear a parte dela até ela poder voltar a ajudá-los sozinha como incentivo a educação continuada e cultura dos alunos de Barra de São Francisco e não parasse apenas na decisão de não poder continuar contribuindo, uma vez que a maioria dos alunos universitário fizeram o ensino fundamental e médio na rede publica de educação e são de famílias humildes com poucos recursos, porém se dedicam aos estudos para uma boa formação profissional que pode ajudar o município no futuro exercendo suas formações acadêmicas dentro de Barra de São Francisco, que ultimamente tem atraído olhares de investimentos econômicos públicos e privados nas áreas em alguns estão se formando.

Na Grande Vitória, a realidade de apoio aos alunos universitários do ensino federal e bolsistas do ensino privado através de programas do governo do estado e da União por parte do Governo estadual é expressada em forma de ações que reflete diretamente nas condições financeiras dos alunos que já passaram pelo ensino público. Na última quarta-feira (14 de março) o Governo do Espírito Santo publicou no Diário Oficial um decreto que regulamenta a Lei do Passe Livre. A Lei estendeu o benefício para estudantes universitários e de ensino técnico das redes estadual e federal, além de bolsistas de programas estaduais e federais, como o Nossa Bolsa, Prouni e Fies, que utilizam o sistema transcol de transporte entre as cidades da Grande Vitória.

Por aqui, até que algo possa ser feito para que os alunos não tenham que pagar integralmente o valor mensal do transporte universitário, fica a contradição, de apoio governamental ao ensino superior de qualidade diante do desinteresse do poder público que presa pelo discurso de apoio a educação e formação profissional dos jovens do município, que possui uma economia diversificada, mas não consegue atrair universidades que atendam a esse mercado de trabalho.

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Reportagem: Waschgton Rodes

Foto: Waschgton Rodes